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EQUÍVOCO CENTRAL

A forma e o conteúdo como a paralisação dos caminhoneiros, em maio passado, foram noticiadas e analisadas pela mídia de mercado, deixou muito a desejar. Muitas vezes porque buscou camuflar a opção preferencial pelos desígnios da financeirização mundializada. Outras porque construiu condições para que passasse desapercebido que no Brasil, exploração de recursos naturais deixou de ser fonte de financiamento do bem comum em saúde e educação e gastos nesses serviços fundamentais e passaram a ser desviados para financiar a ‘solução’ encontrada para o fim da greve.

Pouca atenção foi dada ao fato do equívoco de política econômica central para que fossem criadas as condições econômicas e políticas para o movimento grevista. Em bem argumentado artigo publicado no jornal Valor de 11 de junho de 2018, o professor David Kupfer da UFRJ, aponta a necessidade de se discutir o erro que realmente importa; qual seja as políticas de produção e preços praticadas pela Petrobras, especialmente a partir de julho do ano passado. Trocados em miúdos: acompanhamento automático dos preços internos dos derivados com os internacionais e significativa redução do refino doméstico em favor da importação de derivados do petróleo.

Segundo Kupfer: “Essas políticas armaram uma bomba relógio, pronta para explodir se e quando os preços no mercado internacional de petróleo e derivados revertessem a trajetória benigna para os importadores que vinha predominando até então. E foi exatamente isso que passou a ocorrer, e com grande intensidade, a partir de meados de 2017. A pá de cal veio com a rápida valorização do dólar de março de 2018 para cá. Tudo isso, sem que qualquer revisão da política fosse introduzida pela empresa ou pelo governo, ou ainda pelas instâncias reguladoras do setor”.

Esse engessamento de política econômica deriva do exagerado apego que seus condutores têm à soberania do interesse do mercado financeiro. Mercado finan-ceiro que deseja afastar qualquer possibilidade de autonomia de estatais como a Petrobras de agir estrategicamente em benefício da maioria da população.

Lamentável que o governo a partir do golpe de 2016 tenha adotado uma postura de descaso para com ações estratégicas por parte das estatais, com destaque para a Petrobras. Impressiona a quase inexistente discussão na mídia e na academia de mercado sobre o descaso do governo e do legislativo ilegítimos de desenhar e operacionalizar políticas econômicas que partam do potencial da Petrobras de contribuir para com o desenvolvimento do País.

Descaso que tanto custa ao crescimento econômico e à coesão social no Brasil.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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