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EMAGRECER É UMA QUESTÃO DE FORÇA DE VONTADE?

A obesidade é considerada uma doença muito complexa, que envolve uma série de causas comportamentais, biológicas e ambientais que contribuem para seu desenvolvimento e manutenção ao longo do tempo. Dentre outros causa, retrata-se o ganho de peso como uma questão de “responsabilidade pessoal”, sendo as pessoas percebidas como irresponsáveis, preguiçosas, fracas, sem força de vontade e outras características pessoais negativas.

Entretanto, não podemos chamar de “falta de força de vontade” uma pessoa que luta contra a balança há anos e, na maioria das vezes, já tentou emagrecer de várias formas fazendo inúmeros tratamentos e dietas, dentre muitas restrições e sofrimento. Como exemplo temos as pessoas que procuram cirurgia bariátrica com uma extensa história de tentativas de perda de peso, algumas das quais resultaram em emagrecimento a curto prazo, mas com a subsequente recuperação do peso. Essa situação prossegue baseando-se na crença prevalente de culpabilizaçao das próprias pessoas envolvidas no processo.

A atribuição de culpa e fraqueza percebida do caráter devido ao peso contribui para o estigma da obesidade, que está associado à saúde debilitada tanto mental quanto física, fazendo com que as pessoas se sintam perdidas e se desvalorizando. Essas características internas negativas reforçam a crença de que lhes falta força de vontade e de fato por causa disso, quando enfrentam um obstáculo para se engajar num comportamento de comer de forma saudável ou se exercitar podem estar mais propensas a desistir de tentar.

O que muitos não sabem é que na obesidade existem causas que são incontroláveis e independem da pessoa, a fisiologia. Pesquisas sérias e bem conduzidas comprovam que mesmo um ano após terminada a dieta os hormônios de fome e saciedade ainda não estão normais e iguais aos níveis originais de antes da dieta. Isso significa que a pessoa sente naturalmente mais fome e menos saciedade, levando a um comportamento de buscar mais comida. Outro fator importante é o apetite, que após a dieta, conduz a pessoa para um consumo e preferência por alimentos mais calóricos e apetitosos.

Além da fisiologia existe também a genética, um pouco menos significativa como causa, mas também relevante. Realmente algumas pessoas ganham peso com mais facilidade e perdem peso com mais dificuldade quando comparadas a outras.

Não podemos esquecer o fator ambiental, estamos vivendo num ambiente obesogênico, o qual também não temos controle. Estamos cada dia com mais tarefas e atribuições, vida agitada e muitos compromissos, muitas vezes realmente sem tempo e disponibilidade para preparar nossas refeições e fazer exercício. Restando a alimentação de fácil acesso em restaurantes, padarias, cafés e outras opções de rua, com alto teor de calorias.

Esses elementos fisiologia, genética e ambiente formam um ciclo e não podem ser confundidos com falta de força de vontade, mas sim servem para reforçar o entendimento de que realmente é difícil controlar o peso. Então, qual é a soluação para o controle do peso e emagrecimento? Pare com o auto-julgamento, reconheça seu sofrimento, pratique a auto-compaixão, cuide de si mesmo com bondade mesmo diante do fracasso e momentos difíceis.

Mariana Herzog
Nutricionista e Sócia proprietária da Dietética Refeições

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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