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EM DIÁLOGO, CELEBRAR!

A forma dos ritos litúrgicos está particularmente disposta em tom dialogal. Diálogo, na língua grega, tem significado: dia – “por intermédio de” e logos – “palavra”; portanto: conversa, conversação, falar com o outro.

O diálogo na liturgia possui duas dimensões: a vertical e a horizontal. A vertical acontece na forma orante da assembleia dirigir-se ao Pai (ascendente), pela mediação de Jesus Cristo: profere preces, súplicas e louvações, ou mesmo na atitude de escutar o Pai (descendente) e ruminar a sua Palavra.

• A horizontal se dá principalmente na comunicação entre a presidência e a assembleia, ou por meio de outros ministérios que dialoguem com a assembleia: diácono, ministros leigos e cantores.

• As celebrações litúrgicas são autênticos encontros dos filhos com o Pai, através do memorial da Páscoa de Cristo, na unidade do Espírito Santo. Pela liturgia se dá a proclamação pública da fé cristã. O mistério pascal acolhe e integra os movimentos e experiências da vida para, por Cristo, com Cristo e em Cristo reunir todas as coisas (cf. Ef 1,10), rumo à plenitude dos tempos.

• O diálogo é abertura à participação e experiência afetuosa de comunhão para com o mistério. Eis algumas formas rituais:

• A saudação do presidente – “O Senhor esteja convosco!” e a resposta da assembleia – “Ele está no meio de nós!”

• A saudação feita pelo diácono ou presbítero antes da proclamação do Evangelho, como na saudação acima, e com o acréscimo: “Evangelho de Jesus Cristo…” – “Glória a vós, Senhor!”

• Os diálogos entre o ministro ordenado e os que estão a celebrar os sacramentos do batismo, da crisma, do matrimônio e da ordem e, ainda, na profissão religiosa, conforme os rituais próprios;

• O canto do salmo responsorial, no diálogo mantido entre o solista e a assembleia, como também os cantos dos salmos e hinos bíblicos na liturgia das horas (ou ofício divino), em dois coros: é uma recordação, em ambas as formas, do diálogo da Aliança entre Deus e o seu povo, particularmente pela natureza bíblica dos textos;

• Alguns cantos que acompanham os ritos – por exemplo, entrada e comunhão: oportunamente podem ser cantados de forma dialogal, com solista(s) e assembleia;

• O diálogo que precede o prefácio da oração eucarística: “O Senhor esteja convosco!” – “Ele está no meio de nós!”; “Corações ao alto!” – “O nosso coração está em Deus!”; “Demos graças ao Senhor, nosso Deus!” – “É nosso dever e nossa salvação!”: na sequência e sentido, há uma saudação, depois uma preparação motivadora e exultante para o louvor e, por fim, o convite ao louvor. Ainda, na oração eucarística, a forma da aclamação memorial e da doxologia.

O ato humano de comunicar, na utilização do corpo inteiro como expressão, tem na oralidade a força e culminância da mensagem. A liturgia se beneficiará pela desenvoltura e qualidade de quem, sensibilizado e consciente, comunica e interage como parceiro da Nova Aliança!

Fr. José Moacyr Cadenassi
OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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