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“É quando o Cristo ressuscita que você consegue ver o que nos espera na salvação”

DSC_0226Alvimar Firme Rosetti Filho participou por 20 anos da apresentação da Paixão de Jesus na paróquia Nossa Senhora da Conceição em Viana. Da experiência ele carrega a certeza de que a convivência com Deus é o bem maior e faz uma recomendação: não adianta querer criar fortuna, querer ter mais e mais, porque tudo tem seu tempo.

vitória - Você escolheu fazer o papel de Jesus ou foi convidado?
Alvimar - Fui convidado. Eu trabalhava no banco e um cliente que era diretor da peça levou uma apostilha com o papel e mandou eu estudar. Ele disse para eu estudar que na quarta tinha um ensaio.

vitória - Você já participava da Igreja?
Alvimar - Eu fui coroinha quando era mais novo, minha mãe participava da Igreja e era muito religiosa. Lá em casa todo o mundo tinha que ir à missa e não tinha conversa. Mas depois a gente cresce um pouco mais e aí, na fase adulta eu fui trabalhar fora, e acabava não indo à missa todo o domingo.

vitória - Quem era o cliente que convidou você?
Alvimar - Era o Adair Gaba, que ficou como presidente/diretor da peça até dois anos atrás. Eu trabalhava na Agência de Viana e ele levou a apostilha para eu estudar. Quando cheguei no ensaio tinha outra pessoa que havia ensaiado o mesmo papel, então foi a comissão que escolheu o outro rapaz porque já fazia parte da peça. Eu não fiz problema nenhum, então o diretor me ofereceu para fazer o Tiago e falei: bom, já estou aqui, então, sem problema. O diretor chamou o grupo todo, explicou que eu fui chamado para fazer o papel principal, mas não fui escolhido e aceitei sem problema fazer um papel menor que era o do apóstolo Tiago. Eu fiz aquele ano e no ano seguinte eu passei a fazer o Cristo Ressuscitado.

vitória - Como chegou o papel do Cristo para você?
Alvimar - Porque o rapaz que fazia o Cristo saiu.

vitória - Porque você acha que a pessoa escolheu você para o papel do Cristo Ressuscitado?
Alvimar - Ele era meu cliente na agência e achava que eu tinha o perfil para fazer o papel, eu era alto, magro. Eu nunca morei em Viana, mas trabalhei por dez anos e depois que fui para agências de outros municípios continuei participando.

vitória - De lá para cá foram quantas apresentações?
Alvimar - Umas 20.

vitória - O sentimento que você teve ao interpretar Jesus pela primeira vez continua nas outras apresentações?
Alvimar - Chega até a arrepiar só de falar. É sempre uma emoção, porque a gente fica nos bastidores e toda a vivência é importante, mas a ressurreição é o apogeu da peça. Então, eu entro na parte melhor da peça, porque é quando o Cristo ressuscita que você consegue ver o que nos espera na salvação. Cristo trouxe para a gente uma nova realidade, que é a vida após a morte e isso sempre nos emociona, é evangelização! Ver como o público reage durante todo o martírio e saber que lá na frente tem algo melhor.

vitória - Você consegue sentir mesmo a reação do público enquanto apresenta?
Alvimar - Sim, sim, quando ‘eu ressuscito do túmulo e fico lá em cima no alto’ eu fico arrepiado com a reação do público.

vitória - Interpretar Jesus por tantos anos fez com que alguma parte da vida dele passasse a ter um significado diferente para você?
Alvimar - O que a gente percebe no Cristo é o amor. A diferença, a grande diferença do Cristo é o amor que ele tem por nós, pelas pessoas, pela vida, pelos mais humildes. Se o mundo tivesse um pouquinho mais desse amor as coisas seriam muito melhores, não faltaria alimento para ninguém. Eu falo que tudo no mundo tem de sobra, mas a gente não sabe aproveitar ou a ganância, o querer mais, o não enxergar os outros, as pessoas, os semelhantes, faz com que o mundo seja dessa forma. Se a gente tivesse o amor mais latente, o amor que Cristo traz para a gente ninguém passaria fome, não teria guerra, não teria nada disso. Essa é a grande mensagem que o Cristo traz para a gente, que a gente poderia ser bem melhor.

vitória - Qual foi a aprendizado para a sua vida?
Alvimar - A grande diferença para mim é eu saber que existe algo muito maior, que o valor que a gente dá às coisas terrenas não é tão importante. A gente tem que estar sempre pensando que Deus é o Bem maior, então a gente precisa se desapegar das coisas terrenas, a gente precisa se desapegar do ter, porque amanhã a gente vai embora e não vai levar nada daqui. Não adianta querer criar fortuna, querer ter mais e mais porque tudo tem seu tempo, então vamos viver hoje. Não precisa buscar um crescimento profissional que não vá resolver a minha vida com Deus, então tem que pensar que existe algo melhor para a gente.

vitória - Sua filha participou da peça por dois anos, como foi tê-la tão próxima a você interpretando?
Alvimar - Ela era pequena ainda e fez o anjo que anunciou o nascimento de Jesus, mas o mais importante era a vontade dela em participar.

vitória - A opção de participar foi dela ou sua?
Alvimar - Por eu participar ela acabou querendo participar também. Ela precisa estudar e ficou difícil ensaiar, mas hoje ela participa do grupo de canto, domingo ela cantou o salmo e não deixa de participar. Ela está no grupo há 4 anos.

vitória - A participação na peça motivou-a a estar nas atividades da Igreja?
Alvimar - A família tem que conduzir as crianças. Os pais têm que levar os filhos à Igreja, mostrar o que é importante para formar o caráter e incentivar o convívio com Deus, mostrar que o mais importante na vida deles é saber que Deus está acima de tudo. Aqui em casa todo o mundo vai à missa desde quando ela nasceu, desde bebezinha ela ficava lá na missa, mesmo dormindo, se viajamos procuramos uma igreja para ir no domingo, então isso faz com que ela passe a ter gosto de participar da Igreja.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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