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E agora? A resposta nas urnas

Eles organizaram, convocaram e lideraram as manifestações de junho a setembro de 2013.

E AGORA?

reportagem jovem

De repente, a juventude tida como desinteressada pela política, mobilizou o país e apontou mazelas que a sociedade tinha presa na garganta. No início, o foco era o transporte público, mas aos poucos outras pautas foram incluídas e, com um estilo bem próprio do jovem, cada um foi trazendo a sua bandeira e “gritando” pelas ruas o pedido de socorro de um jeito que não se via no Brasil desde 1992 quando o impeachment depôs o então presidente Fernando Collor de Mello.

Os jovens foram responsabilizados pelo bem e pelo mal das manifestações. Elogiados no primeiro momento, receberam a aprovação e o apoio da sociedade, depois foram culpabilizados pelos excessos que em algumas cidades provocaram destruição. A sociedade se dividiu e a mobilização perdeu força.

A população guarda na memória momentos bonitos com grandes multidões nas ruas apontando o que precisava ser melhorado, mas guarda também momentos de desapontamento perante quebradeiras e violência provocados por manifestantes e por policiais.

No estado do Espírito Santo alguns temas que estavam na agenda nacional repercutiram e tiveram apoiadores, mas os momentos mais fortes aconteceram no pedágio da terceira ponte e na Assembleia Legislativa onde a juventude arrancou cancelas e ocupou por uma semana, respectivamente.

As bandeiras eram transporte público, passe livre para estudantes e fim do pedágio, além de saúde, educação, segurança e mobilidade urbana.
E agora? Estamos em pleno processo eleitoral, hora de verificar se os programas de governo dos candidatos contemplam as pautas levantadas. Fomos em busca de alguns jovens que estavam lá nas manifestações de 2013 para saber onde estão e como se posicionam perante os candidatos.

Esta reportagem acontece no início das campanhas, quando projetos e planejamentos ainda são provisórios ou, usando a linguagem da política, quando o que existe ainda são pré-projetos. Mesmo assim, os jovens que estavam lá, onde estão agora?

Procuramos jovens que participaram individualmente, sem qualquer envolvimento institucional a grupos organizados e muitos expressaram alegria por terem participado e consideraram que aquele momento foi um marco na história do Brasil. Ao mesmo tempo, manifestaram que a participação não os afetou ou modificou. Passado aquele momento, voltaram as suas rotinas e, de alguma forma, “deixaram pra lá” as razões que reivindicaram.

Mas, nem todos. João Vitor foi por iniciativa própria. Ficou sabendo do movimento, juntou-se aos amigos da escola e participou de quase todos os momentos. Apesar de ter passado um ano no qual muitos acontecimentos e eventos se sucederam em ritmo acelerado, ele lembra bem das razões que o levaram pra rua. “Como sou militante de Direitos Humanos, a minha prioridade era a educação. Alguns eram contra a copa, mas eu não, porque se ia ter copa era porque em algum momento nós quisemos e dissemos sim. Então eu defendia que tivesse copa, mas tivesse também investimentos em outras áreas, principalmente na educação, e que além de investimentos, os prazos também fossem como os da copa, isto é para acontecer rápido e logo”.

Lembrar as lutas e reivindicações espontaneamente já era um bom começo de conversa, mas João Vitor foi convidado para ocupar a vaga que a Pastoral da Juventude tem no Conselho Estadual de Juventude e ali, segundo ele, conseguiu ver de perto as falhas do governo e o porquê dessas falhas. Envolveu-se na busca de soluções para os jovens e hoje é defensor do pacto que o Conselho apresenta. Ele percorre o estado propondo a criação de uma Secretaria para a Juventude, recursos para o Conselho, investimento para a sociedade perceber o lado positivo da juventude e a criação de uma universidade estadual diferente da universidade tecnicista que a classe política propõe. Na hora de nossa conversa estava em Ibiraçu defendendo as propostas do Conselho e motivando a sociedade para apoiá-las. “Agora estamos analisando os pré-programas dos candidatos ao governo do estado para ver quem propõe políticas para a juventude e, infelizmente, constatamos que apenas dois candidatos citam, explicitamente, políticas nesse sentido. Quem não tem propostas para a juventude não está contemplando as reivindicações apresentadas nos protestos de 2013.

Agora vamos propor um pacto e entregar aos partidos. Os candidatos que assinarem serão divulgados para a sociedade” disse.

Mapa-Brasil-URNA-2

Outros jovens participaram dos protestos porque já estavam engajados em associações, grupos ou movimentos de atuação na área social. Shanna na época era estudante de Serviço Social e viu-se naturalmente envolvida desde a sala de aula até às discussões do DCE (Diretório Central de Estudantes) e pautas construídas dentro da universidade. Diretamente apoiou o fim do pedágio, mas terminou o curso de Serviço Social, distanciou-se do DCE que está em final de gestão e neste momento optou por não apoiar candidatura ou se envolver com o processo eleitoral por considerar que a conjuntura não favorece. “O DCE por enquanto não está se movimentando com relação às eleições. O debate na universidade talvez aconteça mais em sala de aula dependendo dos cursos, agora faço Arquivologia e o pessoal do curso tem menos envolvimento com o social. A crítica acontece mais na sala de aula”, disse. “Talvez, quem sabe a universidade ainda entre no debate com os candidatos, afinal estamos apenas no início da campanha”, acrescentou.

Já Lucas, também universitário e estudante de Ciências Sociais, assim como Vinicius, participaram dos protestos junto ao movimento estudantil. Como tal, expressam com clareza as bandeiras que defendem. Vinicius aponta que se envolveu principalmente com a luta por melhorias no transporte público e passe livre para estudantes. Já Lucas interessa-se e participa “pelas questões que envolvem o Espírito Santo”, como educação (verbas para a criação de uma universidade estadual), direito social, saúde e segurança pública. O caminho, segundo ele, pensando no momento político atual é de isenção com relação a candidatos: “não queremos assumir bandeiras com candidatos até mesmo para preservar a autonomia do movimento. Colocamos as propostas no espaço público e procuramos o apoio da população para nossas bandeiras. Queremos ser distantes e próximos”.

Vinicius diz que espera a articulação do movimento passe livre e afirma que discutem e avaliam as propostas do governo com relação à mobilidade urbana e passe livre. Segundo ele, o grupo já elaborou pauta para enviar a todos os candidatos, mas reconhece que a campanha ainda está muito no início e o debate apenas começando.

Eles estavam lá nas passeatas e manifestações e estão aqui fazendo propostas, avaliando projetos, propondo mudanças no olhar para a juventude e trazendo de volta para o debate das campanhas os “gritos” individuais e coletivos do povo que foi às ruas pedir melhores condições de vida e mais justiça social.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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