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Distribuição como essencial

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Economia enquanto campo de relações sociais tem três focos: a produção, a circulação e a distribuição de bens, serviços e conhecimentos. Desde que emergiu como um campo específico de estudos em meados do século XVIII, tem sido majoritária a preocupação com a produção e a circulação, principalmente de bens.

Na medida em que o progresso técnico passou a facilitar de forma crescente no tempo a produção em escala e o transporte entre áreas cada vez mais longínquas, a chamada ‘ciência da escassez’ foi mudando sua centralidade e cada vez mais se preocupa com formas de induzir o aumento da demanda por bens produzidos a preços mais baixos e em diversas localidades. E mais, ainda que preocupações éticas quanto à forma como o progresso econômico se distribui estivessem presentes em diversos autores no passado, a busca de respostas éticas se acentuou em função do aumento da concentração de renda nas últimas décadas.

Esse aumento (inclusive nos países desenvolvidos) tem resultado em um debate ampliado que busca soluções para a forma e o conteúdo dessa concentração. Mais do que uma questão até pouco tempo atrás restrita aos embates empregado-empregador e países centrais – países periféricos, a má distribuição da riqueza mundial tem levado a discussão para o confronto entre o que vai para o segmento financeiro e o que cabe aos segmentos produtores de bens e de serviços.

Apesar da força de pressão política em função de seu poder econômico, o mercado financeiro vem sendo alvo da discussão pública a respeito da concentração de renda. Foi assim quando movimentos do tipo ‘occupy wall street’, que ganhou força a partir da explicitação do vigoroso crescimento nos últimos vinte anos da renda do 1% mais rico nos Estados Unidos, em evidente contraste com o empobrecimento relativo dos restantes 99%.

A crise fiscal que acomete países em todos os continentes, também contribui para aquecer o debate sobre o quanto dos orçamentos públicos vai para pagamento de juros e quanto é gasto em educação, saúde, transportes, cultura e programas sociais.

Dai a necessidade de politizar o debate econômico, para muito além da frieza dos números e dos chamados humores do mercado. Para que essa politização gere resultados para a maioria da população – inclusive as classes médias, emergentes ou consolidadas – há de ser crescente a informação e o conhecimento de como os frutos do progresso são distribuídos entre pessoas, setores, regiões e países.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia e Coordenador do
Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da Ufes

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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