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DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS SEGUNDO AS ESCOLHAS DO BOM PASTOR

Não faltam na história da humanidade homens interessados em serem seguidos e amados, reverenciados por seus feitos e realizações, por suas palavras e grandes propostas. Aqueles que conclamam os seus seguidores a darem as suas vidas pelos ideais que apresentam, pelas propostas que trazem e pelas palavras que proferem. Todavia, o que emerge do relato do Quarto Evangelho é bem diferente, visto que, Jesus, ao se apresentar como o Bom Pastor, não pede que ninguém dê a vida por Ele, ao contrário, é Ele mesmo que afirma oferecer a sua vida pelos que o seguem.

Em suas palavras e atitudes, o Bom Pastor se coloca à frente do rebanho, expõe-se aos perigos, assume as consequências de conduzir as suas ovelhas nos caminhos tortuosos do mundo. Sendo assim, o seu pastoreio é verdadeiro, pois assume o lugar daquele que é capaz e, de fato o foi, de dar a sua vida para que as suas ovelhas tenham a vida em plenitude. Desse modo se verifica a diferença entre o mercenário e o Bom Pastor, já que o primeiro, preocupa-se consigo mesmo e com os seus próprios interesses, ele, ao ver o perigo, abandona o rebanho e foge. Os verbos abandonar e fugir são significativos para determinar a postura dos mercenários e revelam ainda mais a sua preocupação consigo mesmo e o seu descuido para com o rebanho.

Já o Bom Pastor, por sua vez, é determinado pela sua decisão em proteger as ovelhas diante dos perigos e, por isso, é capaz de dar a sua vida pelo rebanho a ele confiado. Isso porque Ele tem uma relação de intimidade e conhecimento com as suas ovelhas, é capaz de compadecer-se e de cuidar, algo impossível para o mercenário. Assim se dá a presença do Bom Pastor, que oferece a sua vida para que as ovelhas tenham vida em abundância.

Os discípulos de Cristo, formados na escola do Bom Pastor, recebem nos cuidados do seu pastoreio os maiores ensinamentos para a sua missão. De fato, em sua intimidade com Cristo e confiando em seu grande amor, todos são introduzidos na comunhão com o Pai. Nessa relação contínua e constante são também formados, pelas palavras e gestos do Pastor a terem o mesmo cuidado para com os irmãos e irmãs. Sendo assim, a missão do cuidado para com o outro, por meio de um amor fraterno e solidário, nasce da relação de profunda intimidade com o Pastor, que nos revela o infinito amor do Pai. É o Pastor que conhece as ovelhas, sabe de suas necessidades e se coloca ao lado delas, principalmente das.. pequenas e pobres. Por isso, na relação contínua com o Pastor, os filhos e filhas de Deus, chamados a serem discípulos de Cristo, aprendem a reconhecer as dores dos que vão perdidos e são capazes de se colocarem ao lado dos que sofrem, com compaixão e solidariedade. Desse modo, o amparo recebido, os cuidados e a proteção do Pastor se tornam “lugar” de aprendizado e formação para todos os que do Bom Pastor se aproximam. Pois, formados na escola do amor e solidariedade do Bom Pastor, são capazes de gestos e atitudes concretos de amor, solidariedade e compaixão, principalmente com os excluídos e necessitados. Em momentos tão difíceis, nos quais se multiplicam diante dos olhos os muitos mercenários em todos as esferas da sociedade, é urgente que os cristãos se aproximem do Bom Pastor e assumam para si mesmos a sua missão de cuidar e defender os pequenos dessa terra. Que Deus, por sua graça, toque nos corações de todos, fazendo surgir em todos os ambientes verdadeiros filhos e filhas seus, capazes de gestos próprios daqueles que foram formados na escola do amor do Bom Pastor que é Cristo.

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Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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