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DESAFIOS AO TRABALHO

A celebração de primeiro de maio, alude a manifestações em 1886 de trabalhadores na ruas de Chicago, EEUU, reivindicando a redução da jornada para oito horas semanais. Ganhou densidade política fora dos Estados Unidos e passou a simbolizar a luta por melhores condições de trabalho e remuneração compatível para trabalhadoras e trabalhadores.

Melhorias e ganhos que foram conquistados ao longo de boa parte do século XX através de ações políticas mobilizadas por sindicatos de trabalhadores, com apoio de partidos defensores do estado de proteção social. Ações políticas e apoio de partidos que perderam impacto a partir dos anos 1980 com a ascensão da ideologia neoliberal e do encantamento conservador como as virtudes do mercado globalizado.

Mercado globalizado que reduziu preço de bens e serviços às custas da diminuição da participação da massa salarial na renda em praticamente todos os países e de uma exponencial exploração de recursos naturais sem possibilidades de renovação.

Massa salarial reduzida pelas possibilidades crescentes de substituição do trabalho humano por processos cada vez mais executados por máquinas. Máquinas que substituem tanto a mão de obra em esforços repetitivos quanto cabeças pensantes em serviços baseados no processamento de dados vindos de fontes diversas.

O salto da produção determinada pelas possibilidades no início do século XX da automação mecânica – bem caracterizada por Chaplin em ‘Tempos modernos’ – para aquelas da automação digital é significativo. Salto com implicações sociais intrigantes como mostradas na série ‘Black mirror’ que fala sobre a forma como a sociedade lida com tecnologias e faz constatações negativas sobre como aquelas disponíveis já impactam muitos.

Impactos sociais, culturais e econômicos que deixados por conta do arbítrio do altar do mercado financeiro certamente tenderão à concentração de renda, à alienação política e à exclusão social. Concentração, alienação e exclusão sempre debitadas aos perdedores no chamado jogo de mercado.

Entender o que legitima o arbítrio do mercado financeiro – destaque para a ideologia incorporada no que é veiculado pela mídia de mercado e pela academia produtivista – é importante. Importante para que o enfrentamento com o que interessa a uma minoria diminuta de pessoas no mundo, seja feito com a participação de gente comprometida com o bem comum.

Bem comum em termos das relações entre humanos e de nós com os demais seres viventes. Bem comum cada vez menos considerado nos discursos e nas práticas de sistemas políticos, sociais e econômicos desenhados e operacionalizados pela classe dominante, em escala global / nacional / local.

Desvendar e se opor ao desenho e à operacionalização de políticas voltadas aos interesses maiores da classe dominante são grandes desafio do trabalho nesta segunda década do século XXI.

Arlindo Villasci 
Professor de Economia

arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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