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Cuidado com as fofocas

Falando através de um vídeo aos fiéis da Arquidiocese de Buenos Aires, o Papa Francisco, no final de outubro, chamou a atenção para as consequências das fofocas na Igreja e nas comunidades. Na ocasião ele disse que a fofoca se assemelha a uma espécie de sarampo que vai contaminando as pessoas de maneira epidêmica. E numa comunidade, a fofoca quase sempre leva ao enfraquecimento e até a morte das relações, pois algumas pessoas parecem não conseguir viver sem rebaixar o outro de maneira mentirosa. “A fofoca enfraquece as comunidades eclesiais”.

Muitas pessoas vão sempre à Igreja e parecem rezar bastante, mas estão sempre de olho na oportunidade de semear uma maledicência. Estão bem perto de outras figuras tão criticadas por Jesus Cristo, os fariseus. A fofoca anda muito mais rápido que a verdade. Ela divide, separa, anula, maltrata e mata. Esta questão é muito pouco refletida nas comunidades. Daí o Papa não economiza palavras para repudiar esta prática anticristã.

A prática é muito simples. As pessoas tomam meias verdades ou apenas um lado da história, uma parte, e daí vão concluindo a seu bel prazer, mas contando sempre para outra pessoa, que também adora acrescentar mais pimenta na história contada. É famoso o dito “eu aumento, mas não invento”.  Nestes tempos de “fake news” a contaminação com esta epidemia é muito mais rápida que imaginamos. Ficamos assombrados com a capacidade de tanta gente nas redes sociais para inventar mentiras ou compartilhar inverdades.

As pessoas não se contentam em falar mal dos outros achando-se superiores. Acham-se no direito de envenenar a vida das outras pessoas. O desejo de fofocar nasce da tendência da pessoa em se projetar para fora, nos outros e nas coisas. Parece querer esconder-se na mentira que projeta no outro. Ao mesmo tempo se constrói um mundo em que as casas não possuem mais paredes e assim todo mundo pode saber o que acontece lá dentro.

O Papa Francisco sugere um remédio muito simples para que os fiéis evitem a “fofocaiada” que pode destruir uma comunidade. Aqueles que tiverem desejo de falar mal de alguém da comunidade ou do entorno social devem “morder a língua; e peçam a Jesus que tire esse vício de suas vidas”. Nestes tempos pós-eleição, um dos remédios que cada comunidade cristã deveria tomar é a realização de um profundo ato penitencial, por tanta fofoca e mentira disseminada no meio social, especialmente através das redes sociais.

A prática da fofoca é um vício e uma vez adquirido torna-se difícil libertar-se dele. Parece que alguém não consegue viver sem falar mal do outro, sem inventar ou distorcer fatos e palavras. O outro, sempre indefeso, morre ao lado do fofoqueiro. E até comunga a mesma fé. Por isso, hoje só cabe dizer: “piedade, Senhor”!

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciências da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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