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Cordialidade musical

mundo-liturgico“De coração”: assim, costumeiramente, Irmã Miria Therezinha Kolling, religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria (fundação de Bárbara Maix), concluía as suas inúmeras correspondências e mensagens, como que transmitindo as pulsações melódicas do seu imenso coração. Coração sempre aberto às moções do Eterno nas mais diversas circunstâncias da existência, e que ela sempre compartilhava em seus breves ou profundos diálogos!

A gaúcha que se encantou pela eclética capital paulista, onde residiu durante muitos anos, até a sua Páscoa definitiva, soube traduzir, através da sua arte musical, a diversidade do ser humano que suspira pelo mais além. O humano e o divino eram as referências de suas inúmeras composições, ora com letra e música de sua autoria, ora com melodias suas e letras de seus vários parceiros, aos quais eu me incluo.

A música foi, ao longo do seu caminho, a decisiva e feliz resposta frente aos desafios humanos, sempre encarados por ela com otimismo pascal. Seu veio contemplativo transformou temas cotidianos da existência em verdadeiras e deliciosas incursões no plano transcendente, recordando e traduzindo o mistério da encarnação do Verbo e a sua repercussão no hoje da história. Sua música tem característica memorial e se faz profissão de fé.

A liturgia foi, por excelência, o objetivo da sua obra e de todo o seu cantar. Embora dedicava-se à música sacra em geral, englobando as dimensões pastoral e catequética, o princípio e a inspiração do seu canto sempre foi o mistério celebrado na liturgia. Magistralmente, legou-nos a simbiose da palavra com a melodia, proporcionando-nos a vivência mistagógica. A Igreja de Jesus Cristo foi a sua marca registrada e o seu amor incondicional!

Seu afã missionário motivou-a, sempre, em sua incansável peregrinação musical. “Sem fronteiras é teu Reino…”, como ela compôs em letra e música, é o retrato fiel da sua vida e missão, no itinerário de encontrar-se com pequenas e grandes comunidades da Igreja no Brasil, como de outros países, especialmente Portugal e Estados Unidos. Ela mesma compôs e cantou: “E pelo mundo eu vou, cantando o teu amor, pois disponível estou para servir-te, Senhor!”.
Ela divulgou intensamente a sua obra, como a de outros compositores, nas inúmeras formações que ministrou: sem sombra de dúvidas foi, do grupo de compositores do pós-concílio, a que mais permaneceu em contato direto com os membros das comunidades católicas, através dos seus conhecidos encontros de canto litúrgico e pastoral. Muitas dessas obras foram registradas fonograficamente e testemunham a sua bela e distinta musicalidade, a qual sempre foi colocada a serviço da Igreja.

E é “de coração” que sempre a recordaremos como referência da boa música litúrgica e pastoral! Cantar as obras da Irmã Miria será sempre a oportunidade de engrandecermo-nos pelo mistério d’Aquele que veio ao nosso encontro e, com eterno amor, fazendo-se um de nós, realizou a total reconciliação do gênero humano com o Criador de todas as coisas!

Fr. José Moacyr Cadenassi, OFMCap 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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