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COPA E MACHISMO

Futebol é coisa para macho’ habita o imaginário social e se torna um peso que afeta – ainda que de maneira diferente – crianças de ambos os sexos. Aos meninos, que apreciam o prazer da prática do esporte, é imposto desde as peladas de rua a regra segundo a qual a bola pode passar mas o adversário tem que ficar. Já adultos e exercendo as mais distintas profissões, muitos dos que continuam apreciando a prática regular do futebol, mantêm uma relação direta entre o esporte e a afirmação da virilidade via a agressão – mesmo quando limitada ao verbal.

No âmbito do futebol profissional, ainda que crescente o número de mulheres com excepcional habilidade e competência, o machismo se afirma de forma ampliada. Por um lado, através do espaço diferenciado que as versões masculina e feminina do esporte têm nos meios de comunicação e nas prioridades das entidades que o organizam. Por outro, nas diferenças salariais que são ainda maiores que em outras áreas.

Essa lamentável realidade vem se ampliando também no âmbito das torcidas. As duas últimas copas trouxeram exemplos que ilustram o quanto as mulheres são desrespeitadas fora do campo do maior torneio futebolístico mundial.
Na copa de 2014, no Brasil, a Presidenta do País foi vergonhosamente agredida por ofensas ecoadas em coro na abertura do evento. Parcela considerável do público presente composta em sua quase totalidade por pessoas que compõem o topo das pirâmides de rendimentos e de escolaridade dos brasileiros, xingaram a principal mandatária da República. Xingamentos jamais utilizados para homens ocupantes da presidência, independentemente de sua legitimidade ou popularidade.

Na copa da Rússia, o desrespeito à mulher foi para as ruas. Imagens de pessoas do mesmo segmento de rendimentos a que só tem acesso no máximo 1% da população, refletiram o machismo prevalecente na sociedade brasileira.

O que isso tem a ver com economia política? Tudo, absolutamente tudo. Os indicadores de violência contra a mulher – em todas suas formas e conteúdos – é mais do que eticamente deplorável. Tratar a mulher de forma desigual na economia é desperdiçar talento e competência de mais de 50% da população do País.

Rever o comportamento ético do qual temos que ser críticos é dever de todos na sociedade e de forma especial das famílias, das escolas, das igrejas e dos meios de comunicação de massa. Necessário se faz que nesses espaços privilegiados de interação social seja entendido e praticado o princípio de que, lugar de mulher é onde ela quer:

Prática que tem nos esportes – e de forma especial no futebol – um instrumento de grande potencial transformador. Que se incentive – mas do que respeite – a opção feminina de estar na torcida, no campo e em toda a rede de institucionalidade do futebol.

O convívio social e o desempenho econômico muito têm a ganhar.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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