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Coopera que dá

Um dos temas mais discutidos nos dias atuais é a crise que assola o Brasil. Crise em várias instâncias passando pela econômica, política e moral. Em um rápido passeio pelos centros comerciais podemos observar a quantidade de lojas que fecharam as portas e as que resistem evitam maiores investimentos devido à insegurança financeira.

No meio deste temor, o setor cooperativista aponta uma maior estabilidade perante este mercado. No campo, as cooperativas agrícolas têm demonstrado que a união realmente promove a força, principalmente em se tratando de pequenos agricultores. Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, concluiu que na agricultura familiar, o cooperativismo é um importante instrumento para promover o desenvolvimento local sustentável e para geração de renda.  A pesquisa ainda aponta este sistema como responsável por oferecer vários benefícios para seus cooperados em todas as áreas, com destaque, para a econômica e social, permitindo a estes pequenos agricultores a comercialização de seus produtos em mercados extremamente competitivos.

A importância das cooperativas agrícolas no Brasil pode ser expressa em números, já que 64% dos produtores agropecuários são associados ao cooperativismo e 30% de toda produção nacional de alimentos passa pelas cooperativas.

Mas o cooperativismo não se resume à agricultura. Segundo o SEBRAE, atualmente existem aproximadamente 7,5 mil cooperativas registradas na Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) com 5,3 milhões de cooperados, que operam em diversos ramos: agropecuários, de consumo, de crédito, educacionais, habitação, infraestrutura, mineração, saúde, produção, transporte, de turismo e lazer, e de trabalho.

Mas o que torna este jeito de fazer negócios diferentes dos outros?

Em primeiro lugar não podemos pensar em cooperativas como uma empresa qualquer. Nelas qualquer pessoa pode ser um cooperado desde que seja uma escolha feita de forma livre. Entretanto, este cooperado deve se atentar que ele não é um funcionário e sim um responsável com direto a voto sobre as decisões a serem tomadas sobre os rumos e políticas da cooperativa. Para isto, as cooperativas trabalham na questão da formação dos seus membros, para que entendam tanto do mercado quanto da filosofia que envolve o setor.

Uma cooperativa busca melhorar o seu entorno e para isto trabalha para o desenvolvimento sustentável das comunidades com o intento de gerar benefícios tanto econômicos quanto sociais não só para os seus associados, mas para toda a sociedade.

Diferença de uma cooperativa de uma empresa tradicional

Empresa mercantil
Sociedade de capital – ações;
Número limitado de sócios;
Cada ação – um voto;
Objetiva o lucro;
Quorum de uma assembléia é baseado no capital;
É permitida a transferência e a venda de ações a terceiros;
Dividendo é proporcional

Empreendimento cooperativo
Sociedade simples, regida por legislação específica;
Número de associados limitado à capacidade de prestação de serviços;
Controle democrático: cada pessoa corresponde a um voto;
Objetiva a prestação de serviços;
Quórum de uma assembleia é baseado no número de associados;
Não é permitida a transferência de quotas-parte a terceiros;
Retorno dos resultados é proporcional ao valor das operações.

(Fonte:OCEB/BA)

Mas, de onde surgiram estas ideias?

O cooperativismo tem suas origens na Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra do século XVIII, época em que a mão-de-obra perdeu grande poder de troca. Os baixos salários e a longa jornada de trabalho trouxeram muitas dificuldades socioeconômicas para a população. Os trabalhadores buscaram novas formas de superar estas dificuldades com a criação de uma organização formal chamada de cooperativa, na qual as regras, normas e princípios próprios seriam praticados com o intuito de respeitar os valores do ser humano.

O cooperativismo no Brasil surgiu no final do século XIX, estimulado por funcionários públicos, militares, profissionais liberais e operários, para atender às suas necessidades.

Em 1889, foi criada a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, em Minas Gerais.

Já no Espírito Santo as primeiras cooperativas surgiram no meio rural entre os anos de 1930 e 1940. Hoje o estado possui cooperativas nos ramos de saúde, educação, produção, agropecuária, consumo, habitacional, trabalho e transporte.

Para dar apoio às cooperativas de todo Brasil existem duas instituições: a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), criada em 1969 com o objetivo de representar os interesses do cooperativismo brasileiro, e que está presente em todo o Brasil por meio de suas unidades estaduais, e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), instituição dos sistemas Sebrae, Sesc, Senac, Senai, criado em 1998 com a missão de promover a cultura cooperativista e aperfeiçoar a gestão das cooperativas para o seu desenvolvimento.
Com os princípios de cooperar, ou seja, é unir-se a outras pessoas para conjuntamente enfrentar situações adversas, e de cooperação, que é o método de ação pelo qual indivíduos ou familiares com interesses comuns constituem um empreendimento, o cooperativismo é uma opção de economia sustentável que extrapola o mercantilismo atingindo uma conscientização social, visando não apenas o negócio, mas o bem estar dos envolvidos.

Vander Silva 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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