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Consumismo e gestão da casa

Entendida em seu sentido etimológico, economia significa gestão da casa. A casa tanto pode ser a unidade familiar, quanto a tribo, quanto o planeta. Em todos esses níveis, cabe sempre indagar se a casa está bem cuidada.

Cuidar bem é subjetivo e pode ser entendido tanto pelo lado das receitas, quanto das despesas; receitas e despesas para além da contabilização de ganhos e custos. Ganhos que resultam de esforço coletivo; despesas que indicam prioridade na alocação de recursos escassos.

Cada vez mais imersa em um crescente individualismo induzido pelo bombardeio dos meios de comunicação de massas, a gestão da casa enquanto unidade familiar, é centro de conflitos quando se trata de alocar recursos escassos. A necessidade do ‘comprismo’ por ostentação – independentemente do nível de renda – enquanto instrumento de inserção social, cresce e torna desatentos em prisioneiros do ciclo vicioso do ganhar mais para poder comprar de forma desmesurada.

Quando o ganhar encontra barreiras, as frustrações pela impossibilidade de manter o vício do ‘comprismo’ pode levar a todo tipo de desajuste pessoal e social. Desajuste pessoal e social que pode ser exacerbado por trabalhos desmotivadores que são aceitos em nome da roda viva da manutenção de aparências sociais.

Em nível do planeta, são marcantes os efeitos do ter que crescer enquanto dogma desvinculado da construção de uma casa comum mais justa e fraterna para com a maioria de seus seres viventes. Dirigido de forma crescente para o atendimento do interesse de alguns poucos, o crescimento econômico, por um lado, é concentrador dos resultados do progresso. Por outro, devasta o patrimônio natural como se ele fosse infinito; ou quando entendido em sua finitude, devesse ser consumido logo e rapidamente.

Entender as complementaridades entre atitudes que se fazem presente no dia a dia de pessoas e famílias, e o abismo a que se dirige a espécie, se faz necessário. Necessidade que precisa ser debatida e entendida enquanto instrumento de novas percepções pessoais e coletivas na busca de um outro mundo possível.

A utopia da democracia enquanto base para a igualdade política entre humanos é de difícil realização. Dificuldade que resulta de processos políticos contaminados por interesses de uma pequena classe dominante.

Interesses escusos que precisam ser enfrentados por micro ações como a redução do ‘comprismo’ e a busca de geração de renda como menor dependência de postos de trabalho qualitativa e quantitativamente em baixa. Micro ações que podem ser expandidas através de projetos coletivos e políticas públicas voltadas para uma vida mais digna para a gente e para o meio ambiente.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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