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Conjuntura nacional e estadual

O governo Michel Temer alcançou o Palácio do Planalto por meio de um golpe de Estado. O golpe de Estado fora deflagrado com apoio decisivo da grande imprensa e foi encabeçado por três segmentos sociais, cada qual defendendo os seus interesses: 1°) os rentistas, os grandes bancos, ávidos pelo aumento dos seus lucros apesar de sempre exorbitantes, mesmo na chamada Era Lulo-petista; 2º) O “sindicato de políticos”, preocupado em salvar a pele de eminentes personalidades, atoladas até o pescoço nos esquemas de corrupção em diversas estatais, especialmente na Petrobrás. 3º) e os setores mais liberais da sociedade brasileira, insatisfeitos com o incremento do Estado brasileiro verificado nas gestões petistas.

O governo Michel Temer, que representa os setores supramencionados, procura dar materialidade a um pacote de maldades que, desde o Governo Fernando Henrique Cardoso, estava em suspenso, e que visa enfraquecer o poder de intervenção do Estado e suprimir direitos sociais. A PEC 55 estipulou limites aos gastos públicos por 20 anos. A intenção é escancarar para a iniciativa privada, tendo como base a utopia de que a burguesia brasileira possui postura de livre iniciativa. Ignora-se o fato de que o processo de desenvolvimento brasileiro é amplamente dependente do estado e desde sempre!

Esse cenário tumultuado no plano institucional leva a muitas indecisões no aspecto da disputa eleitoral de 2018, o que é bastante preocupante. No ninho tucano verifica-se a disputa entre dois pleiteantes: o atual prefeito de São Paulo, João Dória e o Governador Geraldo Alckmin. A disputa divide o partido! O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), afirma só lançar seu nome caso Lula não seja candidato. E Lula só será candidato se a justiça permitir. Em tempos de ativismo político do Judiciário, isso se torna algo grave para uma democracia em construção. E por fim, há o candidato Jair Bolsonaro, que se move para afirmar a imagem de salvador da pátria, mas responde a acusação de crimes por incitação ao estupro, não possui base partidária nos Estados e é hostilizado pela alta cúpula das próprias Forças Armadas, instituição da qual diz ser representante. No final das contas, o próximo presidente deve sair do tripé PT-PSDB-PMDB ou de alguma agremiação que se situa na órbita das três principais siglas mencionadas.

Quanto ao Estado do Espírito Santo, o cenário não é tão ruim quanto àquele verificado no plano nacional, mas também não é a ilha da fantasia tal como o Governo Paulo Hartung tentou vender até fevereiro de 2017. Sem dúvida alguma, a grave crise na segurança pública, ocorrida neste mesmo mês, desvelou as tensões internas até então ocultadas pela narrativa governista. Foi um evento muito desgastante para o Governador.

Diante disso tudo, o cenário político capixaba se mostra bastante incerto. O Governador Paulo Hartung continua tentando emplacar o seu nome em alguma disputa nacional, que, caso não ocorra, deve se candidatar à reeleição. O seu maior opositor e hoje desafeto, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), também se mobiliza para se lançar ao Palácio Anchieta e cá entre nós, agrada mais a eminentes lideranças políticas regionais, pelo seu perfil de hábil negociador, mas também passa por dificuldades por ter sido citado nas delações da Odebrecht; além desses dois naturais nomes, fala-se muito na Senadora Rosilda de Freitas (PMDB), que possui bastante capilaridade junto a prefeitos, mas acabou de ser citada na delação do doleiro Lucio Funaro, o que pode arranhar, e muito, o seu nome.

Como se vê, a crise nacional e as turbulências em nível regional deixaram o cenário de disputa eleitoral bastante incerto. É aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Ueber José de Oliveira
Doutor em Ciência Política – Ufscar e Professor da Ufes

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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