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COMUNISMO É...

“O comunismo existe hoje porque o cristianismo não está sendo suficientemente cristão”.
(Martin Luther King)

Com o nome tomado da palavra comunis, do latim, que significa comum, o comunismo é uma ideologia política, econômica e social que defende uma sociedade igualitária, onde todas as pessoas teriam os mesmos direitos a tudo, a partir da abolição da propriedade privada, das classes sociais e do próprio Estado.

O comunismo surgiu no século XIX, com o avanço da Revolução Industrial, que transformou o contexto econômico e social, levando ao desenvolvimento do sistema capitalista e do liberalismo econômico que, como tal, foram deixando boa parte da população vivendo em condições de miséria.

Para modificar essa situação, intelectuais como Friedrich Engels e Karl Marx, propuseram alternativas ao capitalismo. Para eles a sociedade foi marcada por uma luta de classes. De um lado estão os donos dos meios de produção com a maior parte da riqueza gerada e de outro, estão os trabalhadores, a maioria, que ficam com a menor parte da riqueza produzida.

Para a teoria marxista, os trabalhadores são tidos pelos capitalistas como uma mercadoria e submetidos à concorrência e às oscilações do mercado. E só o deixarão de ser se tomarem consciência da situação e se organizarem para lutar e assumir o poder e a administração dos meios de produção e do Estado, de forma cooperativa em busca da distribuição justa dos bens e da renda.

Com isso estaria criado o socialismo, mas não ainda o comunismo. Pela teoria marxista, em decorrência dessas conquistas, as classes sociais deixariam de existir e, com isso, chegaria ao fim também o Estado. Só a partir desse momento a sociedade teria condições de passar a viver o comunismo.

Para muitos estudiosos, o comunismo, assim entendido, jamais existiu. O máximo que os países que o tentaram conseguiram foi chegar a um estágio do socialismo em que os meios de produção passaram a ser administrados pelo Estado, como na antiga União Soviética, em Cuba e na China. Houve também a distribuição da riqueza à imensa maioria da população, mas não sem tolher várias liberdades individuais. Aliás, aí está a grande parte do problema, alvo dos críticos, que reclamam ainda que o socialismo e o comunismo não contemplam a individualidade e nem valoriza a iniciativa de cada cidadão. A rigor, o que vimos – e a China atual comprova – é mais um capitalismo de Estado do que o comunismo sonhado por Marx e Engels.

Comunismo é, fundamentalmente, uma doutrina de igualdade social. Aqui estaria, provavelmente, sua única similaridade com o cristianismo. Neste sentido, Luther King, líder e mártir pacifista da luta contra o racismo nos EUA, parece mesmo ter razão. Afinal, o cristianismo propõe uma nova sociedade, mais justa, igualitária, sem opressores e oprimidos. Como disse o Papa Francisco: “A pregação sobre a pobreza está no centro da pregação de Jesus: ‘Bem-aventurados os pobres’ é a primeira das Bem-aventuranças!”. Mas a proposta cristã não parte da organização da política e da economia, mas da transformação das pessoas e das instituições para uma vida verdadeiramente fraterna.

Elson Faxina
Jornalista e Professor da UFPR

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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