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Compassivos e misericordiosos, segundo o Coração de Cristo

Nos capítulos 8 e 9 de Mateus, o evangelista apresenta a missão de Jesus por meio de gestos concretos, seguidos de suas palavras. Na conclusão desses dois capítulos, encontramos a retomada de alguns textos do Antigo Testamento, ressaltando a figura do pastor, muito querida por Israel (cf. 1Re 22,17; Ez 34,5; Is 53,6). A figura do pastor quer indicar o cuidado amoroso de Deus para com o seu povo, manifestado, de forma clara no amor compassivo de Cristo. A indicação da necessidade de que mais operários surjam deve tornar-se um apelo da comunidade, a fim de que todos sejam atingidos pela ação misericordiosa do Senhor. Neste lugar são apresentados os doze discípulos que nascem do chamado, são gerados no convívio com o próprio Jesus e enviados em missão proclamando a paz, sinal da presença de Deus junto ao seu povo.

O evangelista apresenta Jesus em seu ministério − discurso que tem início no capítulo 8 -, no qual apresenta Jesus percorrendo todas as cidades ensinando e curando os enfermos, marcando a sua presença com o anúncio do Evangelho do Reino de Deus. O texto utiliza duas imagens para ressaltar o ministério de Jesus, e, a ideia é a de colocar em foco a missão dos discípulos. Ao ressaltar os destinatários da missão, Mateus quer fazer ver aos discípulos, a quem devem ir, e de que forma devem se colocar na missão a eles confiada.

A primeira imagem é a do rebanho sem pastor. No Antigo Testamento, tal imagem foi largamente utilizada para designar o povo de Deus, pois cada rebanho precisa de um pastor que o guie e proteja nas adversidades. Esta será a missão dos discípulos: serem pastores para o povo, como o foi Moisés durante o percurso dos filhos de Israel no deserto, conduzindo-os e formando-os como um novo povo (cf. Nm 27,16-17). O povo novo nasce quando o pastor os guia com compaixão e zelo pastoral, assim sendo, se espera do discípulo que ele aprenda com o Mestre a compaixão e o cuidado para com as ovelhas.

A segunda imagem é a da colheita. Tal figura quer colocar em evidência a urgência da missão à qual os discípulos são enviados. Sendo assim, existe uma grande necessidade de que o número dos operários cresça, pois a messe já está madura e pode se perder com o passar do tempo. A missão dos discípulos está ligada ao fato de provocar nas pessoas a necessidade de se voltarem para o Senhor com o coração sincero e desejoso de ingressar também no caminho do discipulado. Apesar da figura da colheita ser utilizada quase sempre para determinar o juízo final, é possível afirmar que o evangelista procura indicar, também, a missão dos discípulos como uma necessidade urgente de convidar o povo a abraçar o caminho da fé.

Em ambas as figuras, o que moverá os discípulos em sua missão é o amor compassivo de Cristo Pastor. A compaixão, como dito no quinto encontro, é comparada ao amor de uma mãe por seu filho que sofre. O termo pode ser traduzido também como as entranhas de amor. Com esta atitude, que é mais do que um sentimento, os discípulos serão capazes de olhar as ovelhas cansadas e sem pastor, e por elas se dedicaram na missão. Essa imagem do rebanho sem pastor deve ajudar às comunidades a se tornarem, de forma diversa, um lugar de acolhida e educação na fé dos “pequenos”.

A vocação dos discípulos se realiza na comunidade. Serem compassivos como Cristo é a vocação dos discípulos, cheios de compaixão pelo povo são, por vezes, como ovelhas sem Pastor. Na comunidade dos discípulos, indicada pelo elenco dos nomes dos escolhidos pelo Senhor, os discípulos recebem a autoridade de Cristo e sua instrução para a missão. A comunidade se torna lugar de aprendizado para a missão e para o amor solidário e compassivo.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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