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Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”. (Jo 15,9)

No capítulo quinze do Quarto Evangelho, conhecido como o Evangelho de João, encontra-se a afirmação de Jesus: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”.(Jo 15,9)”. Jesus indica que o Amor do Pai derramado em seu coração é o mesmo Amor que Ele oferece aos seus, manifestado, de maneira especial, no fato de que o Pai o enviou para que o mundo tivesse vida. Esses elementos são a expressão do Amor de Cristo para com a humanidade, a sua entrega na cruz e a doação de sua vida. De fato, o Amor do Pai é reconhecido como dom oferecido gratuitamente à humanidade, desse modo, o mesmo pode-se dizer do Amor de Cristo, por todos os que o Pai o confiou.

Na contemplação da Cruz de Cristo, todos são convidados a entrarem no mistério do Amor que se estende, se amplia, se alarga e busca alcançar a todos. De fato, nos braços abertos de Cristo na cruz, a humanidade inteira encontra um lugar para si, já que ninguém é mais estrangeiro diante daquele que a todos acolheu por amor.

A afirmação do Evangelho não se reduz à Cruz, mas a ela dirige, isto é, o Amor que Jesus afirma ter para com todos foi manifestado em todos os seus gestos. Algo que pode ser visto na acolhida dos pecadores, dos doentes e pobres, daqueles que estavam excluídos e marginalizados, enfim de todos os homens e mulheres indistintamente. Desse modo, torna-se manifesto, uma vez mais o Amor do Pai, que envia o Seu Filho Amado para revelar ao mundo a Sua face amorosa. Por isso, quando Jesus no Evangelho diz amar os seus com o mesmo Amor que foi amado pelo Pai, Ele quer indicar que tudo o que recebeu, comunica gratuitamente aos seus discípulos e discípulas. Sendo assim, todos os que se colocam no caminho do seguimento de Jesus Cristo, como seus discípulos missionários são inseridos, por meio Dele, na comunhão do Amor do Pai. Amados e acolhidos pelo Filho e levados por Ele aos braços amorosos do Pai, que deseja, por laços de Amor e ternura gerar novos homens e mulheres, capazes de amar e servir.

O Amor do Pai manifestado em Jesus Cristo, gera em cada fiel uma resposta de Amor e seguimento, um caminho no qual todos são formados como verdadeiros discípulos missionários.

Desse modo, fica claro que é o Amor a fonte na qual e sob a qual toda a vida do Cristianismo, neste caso, da Igreja se sustenta. Desse modo, quando se deseja explicar o Cristianismo somente por meio de sua moral e seus valores morais, tende-se a uma dureza muito grande. Do mesmo modo, quando se deseja aproximar-se da Igreja, do Cristianismo, somente por meio dos textos Sagrados, isto é somente da Sagrada Escritura, pode-se correr o risco de se perder em tantas explicações e símbolos que, por vezes, podem parecer complexos demais. Ainda, quando essa aproximação se dá pela beleza da liturgia e dos ritos, pode-se, num primeiro momento, ficar encantado, mas, se não existe a profundidade dos passos seguintes, essa aproximação torna-se vazia de sentido. Quando, por fim, tal aproximação se dá somente pela dimensão solidária do Cristianismo, isto é, pelo cuidado com os doentes e pobres, sem uma profundidade maior, isto é, sem a experiência com Cristo, pode-se cansar diante da imensa necessidade que se encontra pelas ruas desse mundo.

O único modo de se compreender o Cristianismo em todas as suas dimensões é reconhecendo a sua raiz primeira que é o Amor de Deus. Aquele Amor, manifestado em Jesus Cristo, que é capaz de gerar em cada cristão uma resposta de amor, seguimento e serviço. De fato, somente quem provou por si um amor tão grande e sem medida poderá gerar amor para com os outros, ser solidário, compassivo, misericordioso. Desse modo, o segredo de toda a vida do Cristianismo, da vida da Igreja está no amor gratuito de Cristo, que resplandece sobre todos o Amor infinito do Pai. Aquele que nasceu desse amor, como nova criatura, é capaz de amar, servir, ter compaixão e doar a própria vida para que outros também tenham vida digna e plena.

Assim sendo, todos são chamados a seguir o caminho até essa fonte do Amor, a fim dela beber e ser formado como verdadeiros amigos de Cristo. Pois, os cristãos só serão capazes de responder aos apelos do tempo presente, de se colocarem e se tornarem próximos dos que sofrem, quando formados nesse amor de Cristo, que é o amor mesmo do Pai. De modo que os seus corações sejam dilatados e tomados por um Amor maior, capaz de gestos de compaixão e solidariedade, próprios daqueles que foram gerados pelo Amor de Deus e seguem Jesus Cristo como discípulos missionários.

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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