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Centralidade do humano

A análise econômica muitas vezes se distancia da valorização do ser humano e do cuidado com o patrimônio ambiental por questões ideológicos. Ideologia centrada na primazia da acumulação do capital; ideologia que vê a natureza como algo que só tem valor quando incorporada a processos produtivos e/ou à valorização financeira.

O viés que prioriza ganhos financeiros como indicador de sucesso econômico, utiliza veículos de comunicação de massa e redes sociais para disseminar, por um lado, o ideário segundo o qual tudo fica melhor quando gerenciado como se fosse uma empresa. Por outro, o uso intensivo da pós verdade contribui para o convencimento de que investimentos sociais só fazem sentido quando dentro de limites que respeitem a prioridade maior de pagamento de juros da dívida.

Conhecimento trazido pelos avanços da neurociência é utilizado para que as pessoas se convençam que precisam se ver e se comportar segundo a lógica de empresa. Gastos com educação, saúde, cultura, lazer são vistos como investimentos com vistas a retornos de valorização pessoal. As relações com os semelhantes cada vez mais respondem a pressupostos da competição onde tudo vale para que o vencer seja conseguido.
Ditos populares são usados para sustentar a lógica do eu S.A.. ‘Farinha pouca, meu pirão primeiro; amigos amigos, negócios à parte’ justificam comportamentos oportunistas no dia-a-dia das relações sociais. E no ‘cada um por si, Deus… por mim’, já que eu sou o centro do mundo.

A prática efetiva e constante do desconsiderar o outro como semelhante provoca um crescente esgarçamento do tecido social. Seja em relações familiares, sociais; em espaços de trabalho e de discussão política, entender o humano como agente a serviço de ganhos financeiros como um fim sem si, empobrece a todos.

Políticas de inclusão social; a universalização do direito à educação, saúde e assistência social, passam a ser vistos como meros números que devem ser submetidos a congelamento de gastos. Visão que é construída e sustentada pela manipulação de fatos. Fatos manipulados que se tornam objetos de análises sem discussão do contraditório. Tudo feito com a crescente deslegitimação da política enquanto instrumento para a construção de convergências entre posições diferentes.

Legitimar a política no Brasil passa por uma assembleia constituinte, convocada exclusivamente para as reformas política e fiscal. Assembleia formada paritariamente por eleitos pelos mecanismos partidários em vigor – sim, existem políticos com história de compromisso com a população; por candidaturas avulsas – espaço precisa ser aberto para quem tem capacidade para construir um projeto de Brasil; e por seleção aleatória como se faz com o júri popular – dar voz e voto ao brasileiro anônimo que constrói o País desde sempre.

Que se abra temporada de discussões sobre a busca da luz no final do túnel. O que nos invade a cada instante através das redes sociais e do noticiário está muito chato.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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