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Celebrar cantando

Avida litúrgica cristã, desde os primórdios, encontrou na sonoridade musical a forma expressiva de celebrar o mistério de Cristo. O entoar dos Salmos e demais cânticos bíblicos do Primeiro Testamento, mais a tradição do canto das sinagogas, foram elementos naturalmente transpostos para as primeiras assembleias cristãs em sua vida celebrativa. Outros hinos e cânticos foram compostos e, dentre eles, alguns foram incorporados em textos do Segundo Testamento. Pode-se citar como exemplo os hinos paulinos (Ef 1,3-14 ; Col 1,15-20; Fl 2,6-11).

Há uma longa e significativa história sobre o patrimônio musical da Igreja. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, abriu-se uma nova etapa de compreensão e adequação no tocante à música litúrgica. Esta pertence ao conjunto da música sacra, mas é distinta enquanto à sua função e forma de execução.

A música litúrgica é também chamada de música ritual. Ela é o próprio rito cantado por toda a assembleia (por exemplo: o ato penitencial; o hino de louvor, que é o “Glória a Deus nas alturas”; o “Santo”); ou, o canto que acompanha o rito (por exemplo: o canto de entrada ou de abertura, que acompanha a procissão; o “Cordeiro de Deus”, que acompanha a fração do Pão).

Ritualmente, cantar a liturgia é vivenciar o diálogo da Aliança com o Senhor. O canto litúrgico é de natureza sacramental; ele está diretamente associado ao sentido memorial da liturgia, portanto, é um elemento atualizador da vivência pascal.

Deve-se ter noção dos graus de importância dos cantos de uma celebração. O princípio é conhecer a estrutura de cada liturgia, como também, a partir dos textos rituais, compreender o sentido da função do canto, incluindo a melodia. Esta é a serva do texto, e deve expressar, por meio da linguagem musical, o seu sentido. Letra e música estabelecem uma simbiose, uma interação entre ambas. Considera-se, também, o ano litúrgico para a escolha do repertório musical.

Deve-se cantar a liturgia, e não cantar na liturgia. Os cantores, responsáveis primeiros pela condução do canto na Igreja, estejam atentos ao sentido de toda a liturgia; que realmente compreendam o específico da ritualidade, para serem eficazes motivadores do canto da assembleia. Os cantores não estão diante de uma assembleia para se apresentarem a expectadores, mas são parte constituinte dela, prestando um serviço à comunidade de fé.

É oportuno e necessário o contínuo aprimoramento litúrgico-musical dos agentes pastorais. E, concomitantemente, aprimorar a noção de expressão corporal, de postura e de interpretação, aliadas à vivência da espiritualidade cristã. Vigilância e conversão são dimensões importantes para o serviço litúrgico de cantores e instrumentistas, os quais precisam transpor as barreiras do individualismo e do estrelismo. Que a nobreza da arte musical litúrgica como dom e serviço fraterno, fomente a unidade da Igreja, que continuamente celebra os feitos do Criador mediante o louvor pascal.

Fr. José Moacyr Cadenassi, OFMCap

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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