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CELEBRAÇÃO DA VIDA

Dois dos sete sacramentos são vivenciados na Igreja nos primeiros séculos de forma essencial e traçaram o rosto das comunidades cristãs: o Batismo e a Eucaristia. Um tão intimamente ligado com o outro que não se podia acolher a Eucaristia sem antes ter sido lavado nas águas do Batismo. Somente com o rito de passagem batismal é que o fiel poderia participar da plenitude da comunidade.

A fórmula trinitária – Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo – do Batismo já é expressa na Didaqué (primeiro catecismo da Igreja) com a descrição da forma do rito, como a oração sobre a água e a quantidade da mesma que deveria ser usada, podendo ser “água corrente, água quente ou fria, ou derramando três vezes sobre a cabeça”.

A recomendação principal não está somente neste aspecto; ressalta o coração da verdadeira preparação para aquele que ingressará na Igreja, a disposição do coração por meio do jejum e da oração. O jejum não é uma prática exterior e sim interior, expressão de um sacrifício, o desprendimento de um bem temporal em vista de um bem maior, superior e eterno. O jejum unido à oração possui um efeito e alcança uma graça santificante capaz de abrir verdadeiramente o nosso coração para Deus e para o próximo. O modelo de oração ensinado é o Pai-Nosso, ditado por Nosso Senhor, como a máxima oração da fé cristã. Contem o verdadeiro espírito do cristianismo.

Tratando-se da Eucaristia, o texto da Didaqué não é muito preciso, mas propõe elementos que nos acompanharam através dos séculos: o pão partido e o cálice oferecido. As fórmulas de agradecimento e de bendições mostram a natureza e a singeleza do rito, ainda sem muita estrutura, de forma mais livre, mais voltada para o centro e o coração da celebração.

A bênção do cálice e do pão com o tradicional “Bendito sejais” expressa o louvor da Igreja à criação, agradecendo a Deus pelas dádivas temporais e que se tornarão sinais dos dons eternos. A imagem do pão partido como reconhecimento do Cordeiro de Deus aqui também assume a simbologia da Igreja, pois “do mesmo modo como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu Reino”.

Desta forma, este texto da Didaqué expressa verdadeiro desejo e finalidade da celebração da Igreja, a unidade. Que Deus nos ajude, nós que somos trigo semeado no mundo a sermos reunidos no celeiro da Igreja, de forma que unidos no amor, possamos apresentar o Cordeiro e nos tornar alimento para aqueles que têm fome e sede de justiça.

Daniel Calil
Estudante de Teologia da Arquidiocese de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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