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CAMPO GRANDE, UM SHOPPING A CÉU ABERTO.

Nesta edição vamos conhecer um pouco da história de um dos bairros mais tradicionais da Grande Vitória. Estamos falando de Campo Grande, local onde se concentra um dos maiores centros comerciais do estado. Lá se encontra de tudo, de calçados a comida.

Localizado na cidade de Cariacica, Campo Grande foi a segunda sede administrativa do município, fato que contribuiu para o seu desenvolvimento. O bairro se tornou o centro nervoso da cidade. Em que pese a sede da prefeitura não estar mais no bairro, hoje está situada em Alto Lage, Campo Grande ainda guarda status de centro administrativo, pois é alí que milhares de moradores das diversas regiões da cidade circulam diariamente para realizar compras, utilizar serviços bancários e resolver outros negócios tais como consultas médicas, etc.

identidadesdonatercila2A economia do bairro é, e sempre foi, baseada no comércio, este é o eixo forte do desenvolvimento da região e de Cariacica, pois Campo Grande é um dos maiores responsáveis pelo PIB da cidade. Segundo a dona Tercilia Moscon Speroto, de 86 anos, quando ela foi morar em Campo Grande, no ano de 1964, as ruas ainda eram de chão batido, mas já existiam alguns “poucos comércios… Secos e molhados, onde se comprava de tudo”.

Buscando na memória, dona Tercilia relembra como era a região: “Lembro de duas padarias, farmácia São Paulo (em frente a pracinha), um açougue (do Jacó) banco Banestes (na verdade era um posto), uns dois bares. Uma empresa de ônibus do Sr. Pernambuco, depois Viação Santa Maria, planeta…”

Para Rosa Maioli, que chegou em Cariacica em 1973, existem empreendimentos daquela época que ainda estão em funcionamento. Alguns deles são a loja “Moscon, Papelaria Santa Luzia, Lanchonete Castelo”, entre outros

Nos idos da década de 60 as opções de lazer eram poucas, mas anos depois foi construído um cinema, que passou a ser um dos pontos de descontração para os moradores. Dona Tercilia relata que “em setembro sempre tinha o desfile escolar, gostava e achava bonito. Aos domingos, as famílias se visitavam”. Além disso, depois de ir à Igreja iam à pracinha para comer pipoca ou chupar picolé, conta.

Ceumar Sepulcre, morador de Campo Grande desde os anos 70, relembra os momentos de diversão “nos fins de semana havia futebol no campo do Espírito-santense e baile no Clube Tamoyo, que ficava bem ao lado do campo. Era lá que íamos aos sábados à tarde, nas tardes dançantes.

Nessa época havia duas escolas mais importantes no bairro: o Colégio Batista e o carinhosamente chamado “Taubinha”, pertencente à Paróquia Bom Pastor e depois à CNEC. Havia muitos torneios de futebol envolvendo essas duas escolas e outras também.
Havia ainda muitos bares com sinucas (das grandes), lanchonetes etc.”

Ceumar afirma que “no início, o bairro foi destinado a ser uma vitrine para Cariacica, e depois, para a Grande Vitória. Grandes empresas se estabeleceram por aqui girando a roda da economia e trazendo trabalho e renda”, lembrou.

A Avenida Expedito Garcia é a principal via urbana do bairro e uma das principais do Estado do Espírito Santo, nela estão construídos prédios que abrigam moradias, salas comercias, grandes lojas (inclusive algumas sobrevivem a décadas no mesmo lugar), mas também pequenos comércios e um grande número de vendedores ambulantes que dividem as calçadas com os pedestres.

Mas ao contrário do que muita gente pensa, o bairro não se resume ao comércio da Expedito Garcia, que aliás a muito tempo está se expandindo para as ruas adjacentes, Campo grande é cercado por muitas moradias de uma fronteira à outra, onde vivem moradores tradicionais, da época em que o bairro começou, e moradores recém-chegados.

Campo Grande trás na sua formação uma mistura de raças. Ao longo dos anos além dos moradores de Cariacica, que já eram uma mistura de brancos, negros e índios, chegaram os alemães e, principalmente, os italianos. Estes últimos formaram uma grande colônia no local. Os imigrantes italianos trouxeram consigo a sua arte e a sua maneira particular de viver em comunidade, isso favoreceu para que os moradores assumissem muitas dessas características.

Foi, e é, tão forte a relação de Cariacica com os italianos que por muitos anos a festa dos imigrantes foi uma das principais festas da cidade. A comemoração atraía gente dos vários cantos do estado que, ao som de tarantela e outros ritmos, se deliciavam com saborosas polentas com linguiça e vinho.

Rosa Maioli, que dirigiu a Associação da Cultura Italiana de Cariacica-ACIC, lembra que outros eventos contribuíram para a preservação da cultura e memória dos imigrantes, entre
eles estão “o Polentino e Minestrina, Jantar Italiano, festival de danças, encontros de corais, além do Coral Gingin D`Amore e o Grupo di Ballo Sltarello.

Outro setor que com a chegada dos italianos ganhou força na cidade foi o catolicismo. A religião católica já era forte por tradição e pela devoção ao santo padroeiro de Cariacica, São João Batista, porém com a imigração teve ainda mais expressão.

Campo Grande é considerado o maior shopping a céu aberto do estado. O título se dá pela quantidade de lojas e pela variedade dos produtos ofertados ao longo da Avenida Expedito Garcia.

O bairro se desenvolveu e a cultura vem resistindo ao longo dos anos. Se no passado o forte da economia era o comércio, nesse ponto nada mudou, apenas cresceu… E cresceu muito.

Alessandro Gomes
Professor

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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