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ATITUDES PASCAIS NA LITURGIA

A liturgia expressa, particularmente por gestos e palavras – alternados pelo silêncio, a realidade sempre atual da salvação em Jesus Cristo, no ápice do Mistério Pascal – sentido da fé e da celebração cristãs.

Ao vivenciar e avaliar as celebrações, é preciso sempre aprofundar os gestos e palavras, e por eles perceber as dinâmicas e os efeitos pascais na interioridade e corporeidade dos que celebram, em sinal de vivificação e transformação à luz do Ressuscitado. A ritualidade da Igreja é também um itinerário no processo de ressurreição assumido pelos fiéis, os quais são membros do corpo de Cristo.

Os ritos iniciais da Liturgia Eucarística possuem elementos que afirmam a realidade pascal:

• a procissão de entrada (domingos e dias festivos) recorda o novo êxodo do povo de Deus, e é precedida pela cruz processional, símbolo do Cristo em seu Mistério Pascal: Ele é o novo Moisés, o Bom Pastor que conduz as suas ovelhas;

• o canto de entrada (abertura) elucida, em síntese (letra e música), o sentido do dia celebrado à luz do Ressuscitado;

• o sinal da cruz traçado na extensão do corpo é recordação da marca e da ação pascais na vida de cada batizado e da própria comunidade reunida;

• o ato penitencial, em tom suplicante, é dirigido Àquele que é o Kyrios – o Senhor Jesus Cristo, o princípio e o fim de todas as coisas – que continuamente comunica as misericórdias do Pai, a fim de que a Igreja viva com intensidade a compaixão. Se neste momento houver o rito de bênção da água e aspersão, objetivamente recorda-se o batismo, sacramento que marca a realidade de nova criatura em Cristo;

• o Hino de Louvor (“Glória a Deus nas alturas”, com reserva para os tempos de Advento e Quaresma), manifesta a glorificação do Pai no Filho encarnado e ressuscitado: é o princípio do canto sempre novo e exultante da Igreja;

• a Oração do Dia, que conclui os ritos iniciais, expressa o reconhecimento da Igreja para com o Criador, em sua contínua obra salvadora, e, por intermédio de Cristo, suplica estar em sintonia e correspondência à mesma.

A Liturgia da Palavra é o anúncio perene da vida para todos, no contínuo diálogo da Aliança entre Deus e o seu povo, por meio de Cristo Ressuscitado, a Palavra do Pai. A mesa da Palavra é a referência para recordar a história da Salvação e iluminar o tempo presente com a luz vivificante e transformadora do Cristo-Verbo.

A Liturgia Eucarística – grande prece de ação de graças, é vivência memorial (recordação das benfeitorias de Deus por meio do Filho) e proclamação pascal, particularmente explicitada pela aclamação memorial: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição! Vinde, Senhor Jesus!”

Os ritos finais (de envio) expressam o compromisso cristão de continuar vivendo em Páscoa nas esferas e diversidades do cotidiano, na missão de, por Cristo, com Cristo, em Cristo, “fazer novas todas as coisas” (cf. Ap 21,5).

Fr. José Moacyr Cadenassi
Franciscano capuchinho, letrista, cantor, consultor de liturgia, apresentador de rádio e agente de ecumenismo e diálogo inter-religioso

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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