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AMPLIAR LIMITES

Em tempos de comunicação instantânea e intensa é necessário testar nossas capacidades de seleção, análise e ação. Somos todos fortemente influenciados por redes de comunicação – da mídia de mercado aos grupos de “zapzap” – que transformam o mundo em uma vizinhança. Influência que pode afetar a forma e o conteúdo de nossas reações, tanto pelo que é transmitido pelas redes, quanto por aquilo que ela deixa de considerar como relevante.

Por um lado, somos comovidos pelos que foram atingidos pela lama criminosa da Vale em Brumadinho. Por outro, nos colocamos distantes dos milhares de brasileiros que são diariamente engolidos pelo limbo do desemprego, da falta de renda para alimentos básicos.

Por um lado, compartilhamos da dor de familiares de adolescentes que perderam a vida e/ou o direito de realizar o sonho da carreira de futebolista. Por outro, nos distanciamentos do crime com toda uma geração cujo futuro ficou menor com o congelamento de gastos em saúde, educação, seguridade social.

Por um lado, nos comove a partida do jornalista Ricardo Boechat. Por outro, ficamos apáticos diante do cerceamento do direito de informar que vem sendo posto em prática pelo governo recém- empossado e que diminui a possibilidade do jornalismo comprometido com a investigação de fatos de interesse público.

Por um lado, nos entristecemos com as perdas ocorridas a partir de chuvas fortes que caem sobre as cidades. Por outro, somos quase que indiferentes com crimes ambientais que ocorrem todos os dias e cujos autores buscam sustentação no abrandamento de legislação, voltada para diminuir o poder de empresas depredarem nosso patrimônio natural e ambiental.

Diante disso, haveremos que rever nossos limites de solidariedade – união de simpatias, interesses ou propósitos entre membros de um grupo; de compaixão – participação na infelicidade alheia que suscita impulso altruísta de ternura para com o sofredor. Haveremos que ampliar nossa capacidade de indignação – reação a atos de injustiça, ofensa ou revolta, praticados contra pessoas e demais seres viventes.

Revisão de limites de solidariedade, de compaixão e ampliação da capacidade de indignação necessárias para que possamos almejar o direito a esperançar. Esperançamento que precisa ser precedido de mudanças profundas no comportamento individualista que coloca os valores do mercado acima das pessoas e do meio ambiente. Individualismo que coloca o humano acima de todos os demais seres viventes; que inspira a competição entre pessoas como se a vida fosse um jogo a ser ganho a qualquer custo.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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