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Acolhidos por Deus e enviados como sinais de misericórdia

“Mas a todos poupas porque são teus: Senhor amigo da vida” (Sb 11,26).
“Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser amigo dos homens” (Sb 12,19)

O livro da Sabedoria procura apresentar respostas a uma pergunta que é tão atual quanto o era quando foi escrito, isto é: qual a razão da misericórdia e bondade de Deus verso os pecadores e praticantes de injustiças? O livro foi escrito em território pagão e, por isso, reflete as relações estabelecidas entre o Povo de Deus e os demais povos, colocando em questão o modo de se comportar dos filhos de Israel diante do modo de vida dos estrangeiros. Nesse caso, as questões que surgem estão na linha de procurar entender a razão pela qual Deus é tão misericordioso e longânime com os pecadores e suas ações. O capítulo 11,26 traz algo que pode ser útil na compreensão do modo como o autor reflete e experimenta a misericórdia e a bondade a bondade divinas: “Mas a todos poupas, porque são teus: Senhor amigo da vida!”. Deus ama a vida de todos e, por essa razão, medindo as ações dos homens pelo crivo de seu amor, não vê o mundo com um olhar condenatório, mas com olhos de compaixão e misericórdia.

O fundamento das ações divinas é o seu amor misericordioso e compassivo, lento para a ira e largo no perdão. Na mesma direção o autor do livro afirma ainda no capítulo 12,19: “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores”. Uma outra tradução possível do texto seria: “o justo como amigo dos homens” (o justo deve ser humano) e “após o pecado, dás a conversão” (concedes o perdão aos pecadores). Deus não demonstra a sua potência aniquilando o homem à causa de seu pecado, mas, quando oferece ao mesmo a possibilidade de retorno à casa da comunhão, na qual ele é formado para a vida plena. Deste modo, se apresenta como aquele que não somente ama a vida do homem e, por isso, confia na possibilidade de que o mesmo busque a verdade e a conversão mas, chama o próprio homem a confiar em seu semelhante.

A ação misericordiosa de Deus na direção de todos é, nesse caso, lugar de formação para a misericórdia e o perdão, pois também o homem é chamado a ser amigo, defensor da vida de seu semelhante. Por isso mesmo que, ao receber a misericórdia de Deus de forma gratuita, o homem deve também olhar para os pecadores com um olhar misericordioso e cheio de compaixão, na esperança de que eles retornem de seus caminhos e busquem a comunhão com Deus.

Que a experiência da bondade, da misericórdia, da paciência, do auxílio e do amor de Deus, toque nos corações dos discípulos e discípulas de Cristo indicando um novo modo de vida. A fim de que, fazendo a experiência da acolhida e do perdão divinos sejam formados e educados para viverem nas Comunidades Eclesiais de Base a mesma misericórdia, paciência e acolhida. Sendo capazes de transformar a experiência que cada um faz no modo como se vive, particularmente, construindo nas comunidades espaços nos quais os homens se tornem, de fato, amigos e defensores da vida de todos.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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