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A vida nos documentos da Igreja

A Carta Encíclica Evangelium Vitae sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana (25/03/1995), do Papa João Paulo II, evidencia o sentido da vida humana no contexto do plano salvífico de Deus. Supera as visões reducionistas que colocam o valor da vida em si mesma, isto é, sem sua relação com Deus. A inviolabilidade da vida humana decorre do fato de ser uma vida recebida como dom de Deus e o ser humano ser chamado à vida divina.

São João Paulo II acentua o valor incomparável da pessoa humana, pois o homem é chamado a uma plenitude de vida que vai além de sua existência terrena, porque consiste na participação da própria vida de Deus.

Apoiando-se também no conhecimento científico, eleva a sublimidade da vocação sobrenatural, reveladora da grandeza e do valor precioso da vida humana, inclusive na sua fase terrena. A vida terrena é parte integrante do processo global e unitário da existência humana, que fica iluminado pela promessa e renovado pelo dom da vida divina, cuja plenitude será realizada na eternidade.

A Instrução Donum Vitae sobre o respeito à vida humana nascente e à dignidade da procriação (22/02/1987), da Congregação para a Doutrina da Fé, apresenta os fundamentos antropológicos e morais para abordar os problemas tratados, esclarece sobre o respeito devido ao ser humano desde o primeiro momento de sua existência, trata das questões morais levantadas pelas intervenções técnicas relativas à procriação humana e oferece orientações quanto à relação existente entre lei moral e lei civil, acerca do respeito devido aos embriões e fetos humanos, com relação à legitimidade das técnicas e de procriação artificial.

A Instrução Dignitas Personae sobre algumas questões de Bioética (08/09/2008), da Congregação para a Doutrina da Fé, no lastro da doutrina católica e servindo-se dos estudos da Pontifícia Academia para a Vida, trata de aspectos antropológicos, teológicos e éticos da vida e da procriação humana, dos novos problemas em matéria de procriação e das novas propostas terapêuticas que comportam a manipulação do embrião ou do patrimônio genético humano.

É evidente o empenho da Igreja para dialogar com o mundo científico, reafirmando a dignidade e os direitos fundamentais e inalienáveis de cada ser humano, inclusive nas fases iniciais da sua existência, que mesmo ainda não nascido tem a sua dignidade de pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, chamado à comunhão beatífica com o Senhor.

Em síntese, sustentam a vida como dom inalienável de Deus – uma realidade sagrada, confiada a nós para a guardarmos com senso de responsabilidade e levarmos à perfeição no amor pelo dom de nós mesmos a Deus e aos irmãos (Papa João Paulo II, EV, n. 2).

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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