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A profissão de Fé e a missão de confirmar na Fé os irmãos

O texto do Evangelho de Mateus 16,13-20 é significativo no que diz respeito ao caminho do discipulado missionário, no qual Jesus introduz os seus discípulos. No texto em questão, Jesus se dirige com os seus discípulos à região de Cesaréia de Felipe que é um lugar significativo, um espaço que, na época de Jesus era habitado, particularmente, por pagãos. Por outro lado, nessa região também se encontram as nascentes do rio Jordão, que nasce tímido e se torna um rio que corta, praticamente, todo o território de Israel. Esses elementos fazem com que o espaço no qual Jesus instaura um diálogo com os seus discípulos se torne bastante significativo.

O Senhor conduz os seus discípulos a um espaço marcadamente pagão, longe de toda a segurança que o espaço do Templo ou das sinagogas poderiam oferecer. De fato, o evangelista, ao relatar a cena, menciona claramente o local, no qual tal encontro se dá, pois ele é determinante na postura e no vigor profético e missionário que os discípulos deveriam assumir. A pergunta do Mestre, dirigida aos discípulos, só poderia ser respondida quando os mesmos procurassem as fontes mais profundas de onde brotam o vigor do seu próprio batismo. Por isso, ir àquele local, onde misteriosamente nasce o rio Jordão, sinal claro do Batismo, pois, o próprio Jesus foi nele batizado, era fundamental para o sentido do texto em questão. Jesus indica aos seus discípulos o caminho necessário para a que a pergunta fundamental, proposta por ele aos seus discípulos seja respondida: E vós, quem dizeis que eu sou?” Somente aprofundando a experiência batismal, isto é, a intimidade profunda com o Trindade é condição para que se firmem os passos no caminho do discipulado, já que o próprio Jesus indica que foi o Pai quem revelou a Pedro a resposta à sua pergunta.

No primeiro momento, a pergunta possui um caráter geral: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”. As respostas equivalem às esperanças e desejos de um povo que aguardava ansiosamente o Messias. A segunda pergunta se torna direta e dirigida aos grupo dos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Agora, dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus lhes interroga sobre o caminho feito, sobre as palavras escutadas, sobre o ensinamento recebido e sobre o amor partilhado. Pedro personifica a profissão de fé da comunidade cristã: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”. Tal resposta do apóstolo ressalta a sua importância na comunidade Mateana, ao mesmo tempo que o apresenta como fundamento sólido da fé desta comunidade, que estava reunida ao redor da profissão de fé daqueles que a confirmam.

Ao responder à pergunta direta de Jesus, Pedro professa a sua Fé e, junto dele todos os demais discípulos. A sua resposta ao Senhor não só o coloca como responsável pela comunidade dos discípulos, mas lhe confere a autoridade e missão de confirmar os irmãos na fé que ele professou. Pedro, além de reconhecer Jesus como o Cristo, em todo o significado de sua cruz, ele, segundo o evangelista Mateus, o reconhece como Filho de Deus, um sinal claro de sua filiação divina e da fé aprofundada na vivência do mistério pascal, uma profissão de fé iluminada pela experiência da ressurreição. Hoje é oferecida a todos a oportunidade de confirmar a sua Fé, juntamente com Pedro e os demais discípulos. De fato, ao responder à pergunta de Jesus, não somente Pedro mas também os demais se tornam responsáveis pela missão de confirmar os irmãos na Fé, mas toda a comunidade recebe esse envio missionário. A pergunta que o Senhor fez aos seus discípulos e ainda hoje ressoa em todas as vezes que tal texto do Evangelho é lido, seja respondida com a mesma prontidão de Pedro e seja colocada em prática do mesmo modo.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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