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A petição inicial apontou a existência de um tumor. A ecografia apontou a existência de um câncer. A cirurgia abdominal demonstrou que na verdade o quadro é de metástase

“A petição inicial apontou a existência de um tumor. A ecografia apontou a existência de um câncer. A cirurgia abdominal demonstrou que na verdade o quadro é de metástase” (Nicolao Dino)

Ao descrever metaforicamente o processo aberto pelo PSDB contra a chapa vencedora das últimas eleições presidenciais e as relações com a delação da Odebrecht, mal sabia o procurador do Ministério Público Eleitoral, Nicolao Dino, que estava, na verdade, descrevendo o Estado brasileiro em seus três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário.

Todo processo foi um teatro, da apresentação do recurso ao julgamento. O PSDB, que entrou com o recurso por ter perdido as eleições, tornou-se recentemente alvo de inúmeras denúncias que atingiram seu candidato derrotado Aécio Neves. O partido não recorreu ao Tribunal por questão de justiça ou de ética.

Mas, entre a apresentação do recurso e o julgamento, houve o impeachment, ocasião em que centenas de parlamentares, grande parte deles citados na operação Lava-Jato, em nome de causas esdrúxulas (marido, filhos, esposas, Deus, etc.), cassaram o mandato da presidente pelo atraso do repasse de verbas aos bancos públicos que assumem o pagamento do Bolsa Família e o do Plano Safra.

Após o impeachment, o PSDB ascendeu ao poder sem ter sido eleito para isso, ocupando vários ministérios e a liderança do governo no Senado. O mesmo governo que eles processaram no TSE, alegando ilegitimidade nas eleições… Nesse contexto, o processo de cassação da chapa já não o interessava mais.

Para o PT, seria uma chance de tirar do poder o vice que o traiu. Mas a condenação da chapa revelaria as irregularidades no financiamento de sua própria campanha eleitoral. Por isso, muitas lideranças petistas torceram muito para a absolvição da chapa, o que significaria a manutenção de Temer no governo.

Grande parte da população torcia para que a chapa fosse condenada, pois a rejeição ao governo Temer bate todos os recordes históricos.

Mas havia um Gilmar Mendes no caminho. Por coincidência inexplicável, os posicionamentos desse ministro do STF, que preside o TSE, sempre são idênticos aos interesses do PSDB e suas relações com Temer nunca foram ocultadas do povo. Para que ocultar, se o povo não liga?
Sabia-se previamente que o resultado do julgamento seria de 4 a 3, a favor da absolvição da chapa. O voto de Mendes foi decisivo para o desempate. O ministro que vivia se pronunciando contra as irregularidades do Governo Dilma, que não continha palavras para mostrar sua indignação com as denúncias de corrupção do governo petista, calou-se diante das denúncias e absolveu a chapa que tinha Dilma na cabeça. Tudo para manter Temer no poder.

Parafraseando o procurador do MPE: O Executivo revelou que havia um tumor no Estado. O Congresso Nacional apontou a existência de um câncer nos poderes. O TSE, por meio de seu presidente, demonstrou que na verdade o quadro é de metástase nas instituições da República.

Maurício Abdalla
Professor de Filosofia na UFES 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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