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A nossa irmã morte

Talvez a morte seja a coisa mais misteriosa que assombra o ser humano. Alguns filósofos chegaram a afirmar que toda a civilização nasceu e se desenvolveu a partir do medo da morte. Assim sendo, a humanidade passaria toda sua existência fugindo da morte, ou tentando sobreviver.

No fundo, o ser humano sabe que é imortal e por isso não admite a morte. Ela é a grande angústia humana. É uma contradição: um ser imortal que vai morrer!
Popularmente se diz: para tudo tem solução, menos para a morte! O grande salto de qualidade está na fé. Nós temos uma prova “concreta” da vida eterna, da ressurreição: Cristo Ressuscitado, vencedor do mal e da morte.

Para nós que cremos a morte corporal é somente uma porta que se fecha para essa vida e se abre para a outra na eternidade. O corpo morre, mas a pessoa permanece viva diante de Deus. É inútil qualquer tentativa de saber detalhes sobre isso.

Viemos de Deus e para Deus voltaremos. Ninguém nasceu por acaso ou por um acidente. Estamos neste mundo porque Deus aqui nos colocou com a grande missão que é viver fazendo o bem. Jesus já nos ensinou como viver.

A partir da ressurreição de Cristo podemos exclamar com São Francisco: minha irmã morte corporal! Ou cantar a morte com o grande místico carmelita São João da Cruz: rasga a tela, Senhor, desse doce encontro! Para quem tem fé a morte é um “doce encontro” com o Pai que nos criou e que nos ama com infinito amor. A morte é o abraço do Pai amoroso.

A natureza humana sempre temerá a morte, pois ela é uma desconhecida. Em Cristo a morte é desvalorizada, pois a vida a venceu. Para o ateu, cada dia que passa, é um dia a menos de vida. Para aquele que crê, cada dia que passa, é um dia a mais de vida. Para o ateu a velhice é o princípio do fim, para aquele que acredita a velhice é estar próximo da vida plena. Para o ateu a morte joga-nos na noite do nada, para o cristão a morte lança-nos na maravilhosa luz do amor do Pai Celestial.

E os nossos pecados? Deus perdoa tudo! O julgamento de Deus será como uma mãe julgando o filho. Ela pode ficar irada, mas, no final, tudo termina em abraço. Que assim seja!

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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