buscar
por

A música no rito cristão: cantar a liturgia

Na última edição, apresentamos um pouco da natureza da música no rito cristão. Ela enobrece a nossa liturgia, coloca-nos em sintonia com o mistério celebrado, expressa melhor e mais profundamente a nossa oração. O canto na liturgia brota da vida da comunidade eclesial e, no momento da celebração, “ela testemunha a sua esperança de maneira mais solene e vibrante, ao proclamar, como assembleia sacerdotal, ‘as maravilhas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa’ (1Pd 2,9)” (Música Litúrgica no Brasil, 48)

O ministério de música não deve cantar sozinho, já que a sua existência é para favorecer a participação da comunidade, seja quando cantado junto ou quando for intercalado. A comunidade reunida canta a liturgia, por isso, o que acontece ali não é uma apresentação ou um showzinho à parte, mas é uma expressão de comunhão. A assembleia toda tem o direito e o dever de participar da liturgia, reforçando o que acentua o Concílio Vaticano II na Sacrosanctum Concilium: “consciente, ativa e plena, de maneira frutuosa” (SC 11)

O uso de instrumentos é para sustentar as vozes, tornar mais fácil a participação e realizar a unidade da assembleia. Dessa maneira, o som deles jamais deverá cobrir as vozes e atrapalhar a compreensão do texto que está sendo cantado. Quando o sacerdote ou qualquer outro ministro da liturgia estiver pronunciando em voz alta algum outro texto, eles deverão permanecer calados.

Ainda sobre o volume, a mesma observação vale para os cantores em relação à assembleia. Não deve ocorrer uma disputa para ver quem canta mais alto ou qual voz aparece mais. Ao contrário, deve-se buscar uma harmonia. “Vós sois a trombeta e o saltério, a cítara, o tímpano, o coro, as cordas e o órgão”, ensina Santo Agostinho de Hipona para realçar a importância da voz.

Cada momento ritual tem uma fisionomia própria, é imbuído de um significado próprio e tem sua concordância com a liturgia. Dessa maneira, convém observar o “sentido e a natureza de cada rito” (cf. Musicam Sacram 6). O canto de entrada, por exemplo, tem a função de congregar a assembleia, introduzindo-a no mistério do tempo litúrgico ou da festa celebrada, diferente do ato penitencial, que é uma súplica confiante dirigida a Cristo Senhor. O primeiro é mais alegre, mais efusivo, o segundo é mais introspectivo. Vale lembrar, também, que o uso de melodias populares, trilhas de novelas e paródias foge ao espírito da liturgia e, na maioria das vezes, remete o fiel à original.

Durante o ano litúrgico, cada tempo doa a sua característica ao canto, expressando o mistério celebrado e o momento em que é executado. O Advento realça a esperança da vinda do Messias, o Natal manifesta a alegria e a gratidão pelo nascimento de Jesus, a Quaresma é um convite perene à conversão, a Páscoa é uma exultação pela ressurreição de Cristo e o tempo Comum, maior parte do ano, convida a desfrutar os aspectos da missão de Jesus e a nossa páscoa semanal. E, em todos eles, a Igreja também celebra o testemunho da Virgem Maria, dos santos e santas, prestando-lhes o devido culto.

Neste sentido, deve haver um esforço conjunto de todos os que participam das equipes de liturgia para promover uma formação sólida e uma boa celebração do mistério de Cristo.
“A Liturgia não nos pertence. Ela é de Deus, dom oferecido à humanidade por Cristo e em Cristo. Não somos nós que a fazemos, ela é que nos faz. Não a possuímos, é ela que nos possui… devemos deixar-nos conduzir por ela.” (Cardeal Daneels)

QUAL A FUNÇÃO DA LOUVAÇÃO?
Na estrutura da celebração da Palavra, tem lugar um canto conhecido por louvação. No louvor e na súplica manifesta-se a fé no verdadeiro Deus e o conhecimento de sua atuação na vida. A louvação não existe para substituir a oração eucarística, mas é o sinal de que a Palavra cumpriu sua missão na liturgia. Por isso, a comunidade expressa através de um canto, de um hino bíblico, os louvores de Deus. É a expressão mais forte da celebração da Páscoa semanal: é a Páscoa de Cristo que fecunda, ilumina e dá sentido à páscoa do povo, celebrada na comunidade reunida. Segundo as orientações de nossa Arquidiocese, ela deve ocorrer após o momento da comunhão.

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS