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A LUTA POR UMA COMUNICAÇÃO LIVRE

Em junho deste ano, o Papa Francisco fez uma meditação pela manhã tomando como referência o texto bíblico de 1 Reis, capítulo 21, que conta a história de Nabot. Francisco nos convoca na luta contra a manipulação sem escrúpulos da comunicação livre, pois é enorme a força da calúnia. E nos lembra que no período nazista bastava uma informação falsa a respeito dos judeus para que eles acabassem em Auschwitz, campo de concentração e morte. Somente pela calúnia sobre eles, toda a sociedade acreditava que eles não mereciam viver.

Ao anunciar um grande “escândalo” qualquer veículo de comunicação passa a exercer enorme sedução, elevando os índices de audiência e venda de jornais. Ou seja, a não verdade passa ser fonte de enriquecimento de um meio de comunicação. É comum dizermos que tal jornal “está todo molhado de sangue”. Também o sangue das vítimas assassinadas seduz e gera audiência.

O Papa nos alerta dizendo que uma comunicação caluniosa enfraquece a vida democrática e destrói pessoas, aumentando as práticas de injustiças. Marginaliza. Ao mesmo tempo ele chama a atenção para cada um de nós, dizendo que o cristão precisa lutar pela verdade e não alimentar mexericos, caluniar ou compartilhar escândalos não verdadeiros.

Com o advento da internet tornamo-nos co-responsáveis no processo de comunicação caluniosa e mentirosa toda vez que compartilhamos algo achando que é verdade, mas não nos damos ao trabalho de verificar se de fato é mesmo verdade.

Com isso, podemos estar colaborando para o fortalecimento de posturas antidemocráticas, atuando e colaborando na manipulação da comunicação caluniosa. Não é apenas Hitler o responsável pela morte de seis milhões de judeus, mas todos aqueles que colaboraram na disseminação de informações falsas contra qualquer pessoa. As ditaduras se alimentam da mentira; por isso, lutar pela comunicação livre e verdadeira é lutar pela Verdade.

Hoje a comunicação caluniosa é grande fonte de injustiças entre nós. E as instituições jurídicas, responsáveis por julgar as ações, precisam cuidar de verificar a veracidade de determinada notícia. Não bastam convicções, notícias manipuladas a bel prazer; são os fatos que importam ao juiz.

O cristão deve levar a sério esta meditação, pois está no âmago da fé: o Verbo se fez carne – a Palavra se encarnou. Este é o fato primordial da fé cristã que se dá sob a forma de comunicação. Não cremos numa informação qualquer, mas numa comunicação encarnada – Deus se fez carne! E a Ressurreição de Jesus não foi apenas uma informação duvidosa. As pessoas viram e tocaram no Ressuscitado. Isso basta. Por isso cremos, afirma Paulo na Carta aos Coríntios. Esta é a comunicação mais verdadeira e o que distingue o Cristianismo das demais religiões.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciência da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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