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A força transformadora da bênção divina

No capítulo seis do livro dos Números, ouve-se a bênção de Aarão, fórmula utilizada várias vezes para abençoar os filhos de Israel. A fórmula da bênção é relativamente curta, mas profundamente rica e nela encontram-se alguns aspectos biblico-teológicos muito importantes. Entre tantos possíveis, destacam-se dois: O primeiro é o fato de ser Deus a fonte da bênção, é Dele que ela provém, já o segundo indica que a bênção de Deus transforma a vida do homem, tocando, por meio Dele, também a história e garantindo-lhe um sentido maior.

O primeiro aspecto a ser ressaltado sobre a bênção é a verdade de que é Deus a sua fonte. Todas as pessoas na Sagrada Escritura, mesmo Abraão, que foi por Deus abençoado e chamado a se tornar uma bênção, também dependia da bênção divina. Foi somente a partir da bênção recebida que ele foi capaz de comunicá-la, tornado-se portador de uma graça para todos os povos e nações. Nas poucas linhas do texto dos Números o nome santo do Senhor vem pronunciado três vezes e, em todas elas, é Ele o sujeito da bênção. Sendo assim, não é o homem a fonte da bênção, pois também não é fonte da vida; somente o Senhor pode garantir a bênção e a graça sobre todos os que a ele se dirigem.

O segundo aspecto diz respeito ao homem como portador da bênção, já que abençoado é chamado a construir e edificar, convidado a ser protagonista de sua história e, por diversos modos, ser capaz de ser sinal do Reino de vida para todos. Por isso, o mesmo homem é sempre dependente da bênção de Deus. Mergulhado no mistério da presença divina, ele é chamado a confiar naquele que lhe doou a vida e lhe garante sempre a sua graça e a sua bênção. Esta, uma vez doada, não retorna ao Senhor sem antes ter feito o seu percurso na história dos homens. De fato, mesmo as passagens mais difíceis e duras da vida ganham um sentido, quando vistas sob o olhar daquele que se confia nas mãos do Senhor. Neste caso, a fragilidade, a transitoriedade e as incongruências da vida não são capazes de fazer o homem perder a bênção recebida; ao contrário, são lugares da manifestação daquele que é a fonte de toda a bênção.

Mais do que nunca, a sociedade precisa de homens e mulheres portadores da palavra e da graça de Deus, anunciadores corajosos de um tempo novo e novos horizontes. Existem muitas conquistas e avanços, mas tantos retrocessos e perda do sentido da vida e da partilha. Muitas são as situações contrárias aos desejos de Deus e o Seu projeto de amor e vida plena para todos. Muitos espaços da sociedade são ainda tomados pelas forças destruidoras da morte, da exclusão e da violência. Por isso, o cristão, chamado a ser discípulo de Cristo, é convidado a colocar-se debaixo e sob a força da bênção divina, na certeza de que ela o acompanhará em todos os momentos de sua vida. De modo que a história seja tocada pelas mãos de homens e mulheres, comunicadores do dom da bênção divina e, por meio deles, o tempo e vida humana tornam-se tempo e lugar visitados por Deus. Que ao longo desse ano novo todos sejam tocados pela bênção de Deus, capaz de ascender em todos os corações as maiores esperanças, de forma que fortalecidos por tão grande graça e comprometidos em ser portadores da mesma se tornem sinais do Reino de justiça e solidariedade, fraternidade e paz, vida plena e bênção.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor e Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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