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A FÉ QUE GUIA OS ROMEIROS DE NOSSA SENHORA DA PENHA

entrevistaAlmirMuller (3)A fé e a devoção a Nossa Senhora da Penha é o que norteiam a vida do caminhoneiro Almir Muller. Há 29 anos ele participa da Romaria dos Homens – que este ano completa 60 anos – saindo em caminhada com um grupo da cidade de Guarapari até o Convento da Penha. Atualmente, Almir é um dos organizadores da caminhada e auxilia mais de 300 participantes a chegarem com segurança ao destino, a Prainha de Vila Velha, onde todos assistem a Missa.

Como começou a caminhada que parte de Guarapari e que se une à Romaria dos Homens da Festa da Penha?
A caminhada teve início com um senhor chamado Chiquinho há 39 anos. Ele recebeu uma graça e chamou um amigo para caminhar com ele até o Convento na época da Festa da Penha. No ano seguinte, mais pessoas se sensibilizaram e se uniram a eles, e com o passar dos anos, mais e mais pessoas foram aderindo à caminhada. Atualmente mais de 300 pessoas fazem o percurso.

Quem são as pessoas que participam da caminhada?
São pessoas vindas de várias paróquias de Guarapari, que ficam sabendo da caminhada, e nos procuram para participar. Cada uma tem seu motivo, sua intenção e na maioria das vezes não contam o motivo pelo qual estão querendo participar. A saída é da Igreja de São Pedro e conforme vamos passando pelos bairros, as pessoas das outras paróquias vão se juntando ao grupo. É um momento muito bonito e fica mais ainda quando o nosso grupo é recepcionado em Vila Velha, quando nos juntamos aos outros romeiros. Muitas pessoas não acreditam que fizemos o trajeto desde Guarapari, muitos batem palmas. Nós levamos faixas, bandeiras e nos emocionamos bastante com o encontro.

O que o motivou a participar da caminhada?
Eu comecei com 15 anos em 1990 a convite de um irmão meu. Eu já tinha uma participação grande na igreja, frequentava o grupo de adolescentes, minha família também participava bastante. Depois eu continuei por todos esses anos, nunca deixei de ir e foram muitas graças alcançadas durante todos esses 29 anos. O que me motiva é a fé. Quando se aproxima o dia, a gente começa a refletir e a pensar que tudo que a gente almeja durante o ano todo, a gente alcança.

Nesses anos todos, há mais a pedir ou a agradecer?
Eu tenho muito mais a agradecer do que a pedir. Agradeço pela minha vida, pela vida dos meus familiares, pela vida da minha filha de 18 anos, que este ano passou no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Então, são muitos os motivos para agradecer, mas também peço a Nossa Senhora que proteja toda minha família, que me proteja durante o meu trabalho nas estradas, pois sou caminhoneiro e dirijo por estas estradas perigosas. Ela sempre nos atende e por isso todo este esforço para continuar com a romaria.

Qual o significado da palavra fé para você?
A fé é o amor que a gente tem pela vida, é acreditar num mundo melhor, é ajudar o próximo… Hoje em dia, o mundo está tão desigual, a gente vê muito sofrimento, muitos virando as costas para seu próximo. Ter fé em Nossa Senhora é acreditar que, em tudo que a gente vai fazer, precisamos Dela. A gente recorre a Nossa Senhora na certeza que ela vai atender, pois ela é Mãe e as mães não negam nada aos filhos. A gente fala: pede para a Mãe primeiro que o Filho (Jesus) obedece. Então ela é a nossa grande intercessora.

Qual é o trajeto feito até vila Velha e qual é seu papel na caminhada hoje?
A saída da Igreja São Pedro acontece às 12 horas e o percurso é pela Rodovia do Sol até Vila Velha. Paramos em um posto de combustível, próximo ao Hospital Santa Mônica, para tomar banho, fazer um lanche e esperar que todos cheguem para depois seguimos todos juntos até a Praça do Centro de Vila Velha. Lá nos juntamos à Romaria dos Homens que sai da Catedral e seguimos para a Prainha, onde é dada a benção. São mais de 300 pessoas e é muita responsabilidade para gente, pois temos o compromisso de que todos façam o trajeto em segurança. Hoje sou um dos organizadores da caminhada, mas somos um grupo de 10 pessoas responsáveis pela organização. Temos a preocupação de conseguir carros de apoio com água, lanches e também ambulâncias para nos acompanhar durante o trajeto, além dos ônibus para levar as pessoas de volta até Guarapari. Então é muita responsabilidade.

Em todos esses anos houve muitos desafios para que a caminhada acontecesse?
Sim. Todos os anos são muitos desafios. Este ano mesmo, quase que a romaria não acontece. São muitas pessoas que participam e existe uma preocupação muito grande com a segurança e a Rodosol não queria dar a permissão para colocarmos as pessoas caminhando na rodovia. Nós insistimos muito, providenciamos toda a documentação que eles pediram. Foi tudo muito burocrático e eles colocaram muitas dificuldades para liberar, mas são esses obstáculos que nos fazem persistir, pedir a ajuda de Nossa Senhora da Penha e seguir em frente. São muitas pessoas de fé querendo cumprir o trajeto para agradecer as graças alcançadas e fazer seus pedidos a Nossa Senhora da Penha. Então, como venho toda a semana a Vitória, passando pela Terceira Ponte, olho para o Convento e peço sempre o auxílio Dela.

Como você vê essa devoção que as pessoas têm por Nossa Senhora da Penha?
Olha, essa resposta é só com Nossa Senhora mesmo. A gente vê cada coisa acontecer… É algo inexplicável. Tem o caso de uma moça que foi no apoio, os médicos a tinham desenganado, tinham dito que o problema dela não tinha jeito e hoje ela é fisioterapeuta, é casada, tem filhos. A gente pediu muito por ela durante aquele ano e fomos atendidos. É uma fé muito forte. Peço sempre o auxílio de Nossa Senhora da Penha.

Você daria algum conselho para quem quer participar da romaria de Guarapari?
A caminhada é longa, é puxada, tem que ter um preparo e é preciso ir devagar. Quem nunca foi precisa ir num ritmo mais lento, não deve querer acompanhar os mais antigos que já estão acostumados. Mas o mais importante é fazer o trajeto com muita fé e com muita gratidão no coração.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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