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A fé na rua

Neste mês, a Igreja expressa sua adoração pública à Eucaristia com a Solenidade do Corpus Christi, conhecida pelos tapetes ornamentais que tomam conta das ruas. Mas esses tapetes são sinais de uma realidade maior… Vamos conhecê-la?

Essa solenidade foi instituída por D. Roberto de Thourotte, Bispo de Liége, para a sua Diocese em 1246, graças aos esforços de Santa Juliana de Cornillon ou de Liége (1191/92 – 1258), religiosa dedicada à adoração ao Santíssimo Sacramento.
O Papa Urbano IV, por meio da Bula Transiturus de hoc mundo (11 de agosto de 1264), instituiu a Solenidade do Corpus Christi como festa para toda a Igreja.

Em sua origem, a Solenidade do Corpus Christi assume também uma forte conotação apologética (defesa da fé) contra as heresias de Berengário de Tours (+ 1088), que negava a transubstanciação ao buscar uma explicação exclusivamente racional da Eucaristia. Para ele, o pão e o vinho se tornavam somente símbolos do Corpo e do Sangue de Cristo, servindo para as pessoas se unirem espiritualmente a Cristo.

O Papa Paulo VI, na Carta Encíclica Mysterium Fidei nº. 58 (03 de setembro de 1965), acentua que a Igreja sempre professou o culto de adoração ao Santíssimo Sacramento Eucarístico não só durante a missa, mas também fora dela, conservando com o maior cuidado as Hóstias consagradas, realizando a sua exposição para a solene veneração dos fiéis e levando-as em procissão.

No Sacramento da Eucaristia, Cristo se torna presente pela mudança de toda a substância do pão e do vinho no seu Corpo e no seu Sangue. É o que a Igreja chama de “transubstanciação” (MYSTERIUM FIDEI nº. 48), sustentada na Bíblia, no ensinamento dos Santos Padres, na Filosofia e na Teologia, consolidada dogmaticamente no Concílio de Trento.

E desta mesma fé única sustentada ao longo da história, nasceu a festa do Corpo de Deus, conclui o Papa Paulo VI.
A Instrução sobre o culto do Mistério Eucarístico (25 de maio de 1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, no lastro da Encíclica de Paulo VI, assevera que “a fé na presença real do Senhor leva, por sua natureza, à manifestação externa e pública dessa mesma fé” (nº. 49).

Assim, os tapetes diligentemente confeccionados, vão além de manifestações culturais ou costumes tradicionais de uma região, e ganham um caráter transcendente, pois evidenciam que “o povo cristão presta testemunho público de sua fé e devoção a este sacramento, nas procissões em que a Eucaristia é levada pelas ruas, em rito solene, com canto, especialmente na festa do Corpo de Deus” (INSTRUÇÃO SOBRE O CULTO DO MISTÉRIO EUCARÍSTICO nº 59).

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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