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A ELES NOSSA ADMIRAÇÃO E GRATIDÃO

Atribui-se a Cícero, orador e político da Grécia Antiga, a conhecida frase “A História é a mestra da vida”. Gosto dessa afirmação. De fato, para vivermos bem o presente e abrirmonos para o futuro, é necessário termos em nossa mente e coração o rico passado vivido pela humanidade com seus acertos e falhas. Tratando-se da história da Igreja no Estado do Espírito Santo, duas Famílias Religiosas se destacam de uma maneira proeminente: a Família Franciscana que esteve presente desde os primeiros esforços de colonização dessas terras. Todos temos bem presente a história dos missionários franciscanos que residiram em Vila Velha e, logo em seguida, na Ilha de Santo Antônio, hoje Vitória, onde funciona atualmente a Cúria Arquidiocesana de Vitoria do Espírito Santo. Entre esses missionários destacou-se, sobremaneira, o frei Pedro Palácios, que trouxe consigo a Estampa de Nossa Senhora das Alegrias, venerada pelo povo capixaba como Nossa Senhora da Penha. É a devoção popular mais antiga do Brasil, enquanto expressão de grande massa popular. Todos sabem como essa piedade popular veio alcançando o coração de nosso povo.

Contudo, nesse mês de junho, especialmente, no dia 9 de junho, nós nos voltamos para uma outra Família Religiosa Missionária, a Companhia de Jesus. Chegou junto com os colonizadores. Chamamos os membros desta Família Missionária de “Jesuítas”. Estes e os franciscanos foram os primeiros e grandes apóstolos evangelizadores do Brasil, especialmente do Estado do Espírito Santo. Sabemos e louvamos o árduo trabalho da Companhia de Jesus, do Sul ao Norte do Estado, tendo como destaque o apóstolo dos ameríndios, São José de Anchieta. A alegria do reconhecimento de sua santidade chegou-nos em abril de 2014, quando Papa Francisco decretou sua canonização. José de Anchieta foi o evangelizador que se preocupou em inculturar-se para poder evangelizar os povos destas terras. Compôs um dicionário na língua dos povos autóctones, escreveu peças teatrais catequéticas etc… Visitou o Estado de norte a sul, deixando sinais do anúncio do Evangelho: o rio Cricaré passou a chamar de São Mateus, em cuja margem surgiu a dinâmica cidade que hoje conhecemos e ali nasceu a sede da Diocese de São Mateus. Em Vitória construiu o Colégio São Tiago e lecionou nesta Escola. Em Guarapari celebrou na Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em Reritiba, hoje Anchieta, residiu por uns tempos e ali faleceu. Hoje em Anchieta temos o Santuário Nacional são José de Anchieta. Do norte ao sul e no centro do Estado percebemos os sinais evangelizadores destes beneméritos missionários da Companhia de Jesus: em São Pedro de Alcântara do Itabapoana uma imagem barroca de São Pedro Apóstolo, vinda de Portugal, deu nome à cidade; em Presidente Kennedy, a Igreja Santuário Nossa Senhora das Neves; em Itapemirim, a Igreja Nossa Senhora do Amparo; na região de Vargem Alta descendo para Castelo, o córrego do ouro, por onde passaram os Jesuítas evangelizando os autóctones.

Hoje o Estado do Espirito Santo não só é conhecido pelas sua beleza natural e perspectivas econômicas e culturais, mas como o Estado onde o grande Santo Missionário Apóstolo do Brasil viveu e morreu e cujo local se transformou no Santuário Nacional de São José de Anchieta no Município de Anchieta Estado do Espírito Santo.

Sim, a história da Igreja no Estado do Espírito Santo não pode jamais ignorar estas duas grandes famílias missionárias, além das outras mais recentes, todas merecedoras de nossa homenagem. Neste mês porém o destaque é para a Companhia de
Jesus na figura de São José de Anchieta. Aos jesuítas nossa admiração e gratidão!
Tenho certeza de que tudo tem sido realizado “Ad Maiorem Gloriam Dei’’.

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Dom Luiz Mancilha Vilela, ss.cc.
Arcebispo Metropolitano de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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