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A Construção da Casa Comum, Esperança de Novos Céus e Terra

A criação dos novos céus e terra, seja aquela encontrada na teologia do apóstolo Paulo, ou na presente no Livro do Apocalipse, está relacionada com a compreensão de um mundo em movimento de contínua criação. De fato, a Criação está em curso na direção de seu aperfeiçoamento, de sua plenitude, segundo o desejo e o plano divinos. Sendo assim, o discurso Apocalíptico, muito presente no período do Advento, não deve ser compreendido como uma profecia de catástrofes e desastres, ao contrário, deve ser contemplado como um grande movimento na direção da plenitude da Criação. Na Constituição Conciliar do Vaticano II, a Gaudin et Spes, em seu número 39, encontra-se o seguinte texto: “Nós ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira de transformação do universo. Passa certamente a figura desse mundo deformada pelo pecado, mas aprendemos que Deus prepara morada nova e nova terra (…) a esperança de uma nova terra longe de atenuar, antes deve impulsionar a solicitude pelo aperfeiçoamento desta terra. Nela cresce o Corpo da nova família humana que já pode apresentar algum esboço do novo século (…) O Reino já está presente em mistério aqui na terra. Chegando o Senhor ele se consumará” (GS 39). Essa afirmação, encontrada no Documento Conciliar, reforça o compromisso e a missão da humanidade no aperfeiçoamento da obra da criação, contribuindo, com o seu esforço e compromisso, com o Criador na plenificação de Sua obra.

Como afirma São Paulo, a obra da Redenção, operada na Cruz de Cristo, atinge e alcança todo o universo, numa ação contínua de mudança e transformação. De fato, pelo mistério da Encarnação, o Senhor assume a humanidade totalmente, o que faz com que Ele chegue até as últimas consequências, em sua entrega total na cruz, segundo afirma Paulo, em sua Carta aos FIlipenses. Sendo assim, a obra salvífica se estende sobre toda a humanidade e sobre toda a obra da criação, marcando todo o universo criado com o sinal da Cruz e Ressurreição de Cristo. Algo que se encontra descrito em outro parágrafo da Constituição Conciliar, citada acima, sob o título – A Atividade humana elevada à perfeição no Mistério Pascal: “O Verbo de Deus, por Quem todas as coisas foram feitas e que Se encarnou e habitou na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a em Si mesmo e em Si recapitulando todas as coisas. Ele nos revela que Deus é amor (1Jo 4,8). Ao mesmo tempo que nos ensina que a lei fundamental da perfeição humana, e portanto da transformação do mundo é o mandamento do amor” (GS 38). Deste modo, fica claro que é o amor de Cristo, que se doa e salva o homem plenamente, o motor transformador da humanidade e de todo o cosmos. Algo que aponta para três compromissos essenciais: A necessidade de renovar a esperança e essa essencialmente comunitária; a atitude de compromisso do homem com a novidade de Deus; A consciência de um desenvolvimento pleno pautado no amor. Uma constante renovação das consciências na direção de um compromisso, cada vez maior, com a promoção e a construção de um mundo novo, cada vez mais próximo do projeto divino. A fim de que, a construção da Casa Comum, isto é, um mundo mais justo, fraterno e solidário, seja algo que esteja presente nas ações cotidianas, de todos os cristãos, para que surja novos tempos para a humanidade inteira, novos céus e nova terra, onde todos terão lugar.

Adoración de los pastores, 1650. Bartolomé Esteban Murillo.

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

 

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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