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A comunidade espaço de formação de discípulos missionários

O capítulo 13,44-52 do evangelho de Mateus traz em si duas parábolas com três imagens bastante significativas, que são utilizadas por Jesus para expressar o valor do Reino e a necessidade de buscá-lo no caminho do discipulado missionário. A primeira parábola envolve o tesouro escondido no campo e a pérola preciosa de grande valor. Na segunda parábola, a imagem utilizada é a da rede pronta para a pesca e já lançada ao mar, com a qual o pescador recolhe todo o tipo de coisas e peixes, devendo depois de recolhida a rede, separar o que é bom do que deve ser lançado fora. Em ambas as parábolas e nas imagens nelas contidas se fazem presentes os aspectos próprios da linguagem e imagens orientais, dispostas de modo que o leitor pudesse retirar suas primeiras impressões logo que as ouvisse.

A linha mestra das parábolas é a de uma reflexão sapiencial, isto é, um discurso que deseja comunicar um tipo de vivência e postura, partindo de uma imagem que era reconhecida e de um conteúdo próprio da linguagem dos livros sapienciais do Primeiro Testamento. Podem ser destacados quatro aspectos fundamentais presentes nas parábolas e que servem de reflexão para as comunidades que são chamadas a formarem discípulos missionários que reconheçam a urgência da opção pelo Reino de Deus e os seus valores. O primeiro ponto se encontra na proposta do Reino como a pérola e o tesouro escondido. Visto nestas imagens simples mas significativas, o evangelho propõe que o Reino não tem uma falsa aparência de verdade e de valor, mas é uma realidade escondida e que deve ser buscada com atenção e cuidado, a fim de que se reconheça a sua beleza e se acolha o seu mistério escondido. Neste sentido, o apelo do evangelista é que a comunidade dos discípulos seja capaz de reconhecer os pequenos, porém valiosos sinais do Reino em tudo o que realiza, valorizar os menores gestos em sua preciosidade e urgência.

O segundo ponto diz respeito à necessidade que o homem tem de vender tudo para comprar o campo, no qual o tesouro está escondido, como também a pérola de grande valor. De fato, o Reino comporta um risco que todos devem assumir se quiserem encontrá-lo e viver por meio dele como discípulos de Cristo. Aquele que não é capaz de arriscar e de vender tudo o que tem para conquistar o Reino, ainda não foi tocado pelo seu valor e, por isso, a exemplo do jovem rico, prefere as suas posses ao Reino de Deus.

O terceiro ponto está relacionado à rede lançada ao mar, que no momento em que é recolhida exige do pescador uma atenção redobrada para que se efetue o árduo, mas necessário, trabalho de separar o que deve ser mantido, do que deve ser jogado fora. A vivência do Reino de Deus exige uma constante vigilância e atenção, principalmente no que diz respeito àquilo que cada um deve deixar para trás. O crivo de decisão, o modelo de escolha é Cristo, pois tudo o que reflete a Sua presença e os valores de seu Evangelho devem crescer e se multiplicar na vida da comunidade e dos Seus discípulos. Todavia, aquilo que ainda é sinal contrário aos valores do Evangelho, que divide e faz com que a comunidade não cresça como lugar de formação de novos discípulos, deve ser lançado fora.

Por fim, o quarto ponto se traduz na brevidade das parábolas: todas as duas são breves e descritas em poucas linhas, uma expressão clara da urgência e simplicidade do Reino de Deus. Este aspecto é muito importante e ressalta algo que não pode faltar nas Comunidades Eclesiais de Base, chamadas a ser lugar de formação de novos discípulos missionários. De fato, diante dos desafios que se colocam diante das comunidades, faz-se urgente uma reflexão sobre a necessidade de que os valores do Reino de Deus toquem a sociedade na qual elas estão inseridas. A urgência do Reino é que todos os que são chamados ao caminho do discipulado sejam formados pelos valores propostos pelo Evangelho, a fim de se tornem sinais claros e visíveis de Cristo no mundo.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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