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A BÊNÇÃO DO TESTEMUNHO E DA CONVERSÃO

O período de Quaresma é um tempo propício para fazer uma profunda revisão de vida, dos valores e das escolhas pessoais, na busca da conversão e do testemunho da fé. No Evangelho de Lucas (Lc 6 20:49), encontra-se o conhecido texto das Bem-aventuranças, que indica o caminho de uma vida vivida segundo os valores do Evangelho. De maneira especial, o texto aponta para o Testemunho da Fé, isto é, a vivência e a construção do Reino de Deus. O evangelista chama a atenção dos fiéis para a necessidade do Testemunho de sua Fé, ressaltando o fato de que todos devem colocar no Senhor e não nas riquezas deste mundo, sua total confiança.

As Bem-aventuranças não se concentram sobre o aspecto moral da vivência da fé, mas, tocam a realidade concreta, a vida do dia a dia. Ou seja, quando afirma que os pobres são Bem-aventurados, Jesus não faz alusão aos pobres em abstrato, aqueles que estão perdidos e que ninguém vê. Ao contrário, Ele indica os pobres que tinha diante de seus próprios olhos, aqueles que Ele tocou com as Suas Mãos, os que alimentou e socorreu. Quando fala sobre a fome, Ele olha para os famintos de sua época, ele toca as necessidades dos que tinha bem perto de Si sente as suas dores e ouve os seus lamentos. Desse modo, os aflitos, não são homens e mulheres sem rosto, endereço, vida e sonhos, ao contrário, são pessoas reais, com suas angústias e sofrimentos, que passam por privações e estão excluídos da sociedade.

A Alegria da vivência do Evangelho, a Bem-aventurança, se encontra no Testemunho concreto da Fé, na possibilidade de tocar as realidades desse mundo, marcado pela exclusão, indiferença e violência. Sendo assim, é Bem-aventurado aquele que se coloca no caminho do discipulado missionário, reconhecendo a necessidade de aprofundar a sua relação com o Senhor, que a todos ensina o caminho da vivência dos valores do Evangelho. Algo tão necessário, principalmente diante de um cenário de dor e violência, no qual os mais pobres são banidos do convívio social e relegados à própria sorte. Um situação de rompimento do tecido social, na qual a preocupação com a segurança pública passa somente pelo desejo de armar a população, como se tal atitude fosse a solução dos maiores problemas que existem.

O convite à vivência concreta das Bem-aventuranças não é simplesmente algo a ser feito porque muitas pessoas estão em situação de grande necessidade. Ele é dirigido ao coração de cada cristão porque é parte integrante da experiência de Fé do Cristianismo, pois, Deus foi o primeiro a sentir compaixão de seu povo sofrido. Por meio da Suas Mãos Amorosas, Jesus acolheu a todos, a todos curou e salvou, manifestando o Seu infinito amor. Por isso, os cristãos são Bem-aventurados, cheios da Alegria e da Graça do Evangelho, quando fazem de sua vida um testemunho concreto do amor e do serviço, principalmente aos que mais precisam.

O texto de Lucas termina com uma série de firmes exortações, que, de certa forma, chocam, num primeiro olhar. Todavia, elas devem ser compreendidas como parte integrante do discurso anterior, visto que, elas são o seu complemento. Toda a firme exortação de Jesus na direção dos ricos, daqueles que possuem bens, está relacionada com a nova lógica do Evangelho, proposto por Jesus. Assim, como as Bem-aventuranças devem ser entendidas concretamente, da mesma forma, as exortações finais do texto desejam tocar a vida cotidiana.

Quando Lucas toma o paralelo da pobreza e da riqueza, ele traz à tona algo que será apresentado no texto dos Atos dos Apóstolos, a partir da proposta da Comunhão Fraterna, como sendo uma marca necessária na comunidade dos discípulos missionários. De fato, a postura da partilha dos bens, a fim de que não haja necessitados na comunidade, nasce no processo de conversão contínua.

Sendo assim, a Bem-aventurança da Conversão é algo a ser buscado por todos, em todos os momentos, como meio de assimilar, gradativamente, os valores do Evangelho. Desse modo, quando forem tocados os corações dos homens e mulheres, a realidade também será transformada, na direção do projeto de Deus, de uma terra sem males, para os seus filhos e filhas. Um mundo mais justo fraterno e solidário, no qual todos vivem segundo a Bênção de uma vida plena em todas as suas dimensões.

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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