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75 anos de Dom Luiz

reportagemAo completar 75 anos de vida no dia 06 de maio, Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo da Arquidiocese de Vitória, é considerado um exemplo de determinação, força de vontade e fé.
Durante sua trajetória, Dom Luiz conquistou muitos amigos que o conceituam como um homem de Deus que soube usar os talentos recebidos do Pai para benefício do próximo e que arrebatou corações para a fé, despertou vocações e levou a muitos o amor do Cristo.
O bispo auxiliar de Vitória, Dom Rubens Sevilha, que convive com Dom Luiz diariamente há cinco anos afirma que existem “dois Dom Luiz”.

“Temos o Dom Luiz oficial, o Arcebispo, que representa seu lado institucional, o que ele leva muito a sério, com muita responsabilidade, muito exigente com ele mesmo e com relação ao papel dele como pastor, de guardião da Igreja, da Arquidiocese de Vitória. E temos o Dom Luiz pessoa, o da convivência em casa, que posso dizer com todas as palavras que é uma pessoa maravilhosa. O considero uma espécie de pai, ou melhor ainda, um avozão. No início, quando cheguei à Arquidiocese, o considerava um mestre, pois tinha muito a aprender. A convivência diária, entretanto, o revelou como uma pessoa de extrema bondade e delicadeza. Quem convive com Dom Luiz na intimidade, fica admirado com esse lado acolhedor, zeloso e amistoso que ele tem”, revelou.

Penúltimo dos 10 filhos de José Vilela de Mancilha e Olívia Mancilha Mendes, Dom Luiz entrou para o Seminário Menor da Congregação dos Sagrados Corações aos 9 anos, cinco anos após a morte de sua mãe. Naquela época, os padres dos Sagrados Corações percorriam as cidades visitando as famílias e fazendo a exaltação das imagens dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria nos lares e era comum as famílias enviarem os filhos aos seminários para garantir que tivessem um bom estudo, baseado nos ensinamentos de Deus.

A precocidade, no entanto, não foi empecilho para que aflorasse nele, ainda muito cedo, a vocação religiosa. A liturgia e a beleza da fala dos padres lhe tocaram o coração e lhe despertou a vontade de se tornar um sacerdote.

Foi no Seminário Cristo Rei, em Ferraz de Vasconcelos, São Paulo, onde cursou o curso primário, que ele conheceu seu primeiro grande amigo, o menino Hilário França, hoje padre na Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio, em Patrocínio, Minas Gerais.

Com muito carinho padre Hilário conta que Dom Luiz, ainda muito jovem e seguindo com ele os estudos de filosofia no Seminário Maior dos Sagrados Corações, em Pindamonhangaba, se destacava não só nos estudos, mas como atacante no time de futebol do seminário e também nas peças teatrais organizadas pelos padres, muitas vezes como protagonista.

_MG_8456“Ele sempre muito esperto se destacava em qualquer coisa que se propunha a fazer e eu ficava admirado com a capacidade dele, de tomar a frente das coisas, de enfrentar os desafios, assim como sempre fez em sua vida. Entendo que o destaque nos esportes e no teatro foram um exercício para o desenvolvimento de sua determinação, um traço muito forte em sua personalidade até hoje”, comentou.

O amor pela Congregação dos Sagrados Corações é outra característica marcante na vida de Dom Luiz. Após ter concluído o estudo de Teologia na Universidade Católica de Minas e ter sido ordenado padre, Dom Luiz retornou a Pindamonhangaba e assumiu a reitoria do Instituto dos Sagrados Corações.

Esse amor pela instituição foi testemunhado pelo pe. Vinícius Maciel, ex-aluno e amigo de Dom Luiz que atua no Santuário da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte.

“Ele expressava essa ternura, esse amor, escrevendo poesias. Muitas ele declamava durante as aulas. Dom Luiz dizia que foi na Congregação seu encontro com Jesus. Isso nos emocionava muito”, contou.

Para o pe. Vinícius, Dom Luiz sempre foi uma referência em sua vida pessoal, espiritual e sacerdotal, tendo despertado nele a vocação.

“Para mim ele é como um escultor, que transforma uma pedra bruta em uma joia rara. Dom Luiz tem a capacidade perceber os valores de cada um e ajudar as pessoas a manifestarem esses valores”, relatou.

Em 1981, após ter prestado vários serviços na Congregação, Dom Luiz foi nomeado Superior Provincial da Congregação e reconduzido ao mesmo cargo em 1985 onde permaneceria se não tivesse sido nomeado bispo de Cachoeiro de Itapemirim pelo Papa João Paulo II.

Padre Vinícius conta que a ida de Dom Luiz para Cachoeiro foi muito dolorosa para todos. “Para Dom Luiz porque apaixonado que sempre foi pela Congregação se viu dividido entre o amor pela instituição e a obediência a Deus. Para nós sua partida deixou um grande vazio, pois era muito querido”, relatou.

Mas ao chegar a Cachoeiro de Itapemirim, em 1986 e ser ordenado bispo, Dom Luiz arrebatou outros corações. Um deles foi de Dona Victória Marques Nunes, uma senhora de sorriso fácil e semblante doce, que ao fazer um teste para trabalhar na casa de Dom Luiz, foi recebida por ele com a canção Maria de Nazaré.

dona vitória (7)“Ele tinha chegado de São Paulo e a casa estava toda limpa, organizada e o jantar pronto. Olhando para mim ele cantou: Maria de Nazaré, Maria me cativou, Fez mais forte a minha fé e por filho me adotou. Eu nunca mais saí de perto dele e sempre que foi preciso fiz papel da mãe que ele perdeu muito cedo. Ele é um homem santo, maravilhoso e mesmo não sendo meu filho de sangue temos muito em comum. Assim como ele, tudo que faço, faço com muito amor”, afirmou emocionada.

Em Cachoeiro, Dom Luiz também pôde contar com a parceria do Monsenhor Rômulo que, encantado com os projetos do bispo, se colocou à disposição para ajudá-lo.

“Sua alegria, entusiasmo e dinamismo contagiava a todos e a mim também. A convivência nos aproximou e nos tornamos muito amigos. Viajamos muito e conheci um Dom Luiz extrovertido, engraçado e contador de casos. Nessas ocasiões ele pendurava a veste de bispo”, contou.
Além disso, Monsenhor Rômulo fala sobre a sensibilidade poética de Dom Luiz, em que seu lado humano e sentimental aparece muito predominante.

“Em uma de nossas viagens fomos a Roma e Dom Luiz queria entregar um livro de poesias de sua autoria ao Papa João Paulo II. Muito tímido, ele ficou receoso. Então peguei o livro e entreguei por ele. Mais tarde, o Papa elogiou muito as poesias. Brinquei que os elogios eram para mim, pois era eu quem havia entregado. Rimos muito com isso”, lembrou.

Outro amigo e parceiro de viagens é o padre José Carlos F. da Silva que também tem momentos divertidos para contar ao lado de Dom Luiz.

“Aproximei-me muito de Dom Luiz ainda no seminário em Cachoeiro, passando a frequentar sua casa, dirigir para ele e também ter aulas de francês com ele. Tornamo-nos amigos e viajamos juntos muitas vezes. Nessas viagens Dom Luiz revelava seu lado engraçado e em uma ocasião, em viagem para Roma, ao seguirmos de Cachoeiro para Vitória e passarmos pelo Posto da Polícia Rodoviária Federal de Safra fomos abordados. O policial pediu a Dom Luiz que ele apresentasse seu passaporte, e sem entender muito bem ele começou a procurar o documento em todos seus bolsos. Nervoso perguntava ao policial se era mesmo necessário apresentar o passaporte a ele. Era uma brincadeira do policial que nos informou um pouco depois que o motorista da livraria estava trazendo o passaporte que Dom Luiz havia esquecido em casa”, lembrou.

Padre José Carlos revelou também que Dom Luiz o inspirou a escrever três livros de orações publicados pelas Paulinas. “Comentei com ele que, em algumas ocasiões, tinha dificuldades em rezar e ele então me orientou a escrever as orações. Assim, publiquei três livros”, relatou.
Em 2002 Dom Luiz é nomeado pelo Papa João Paulo II, Arcebispo de Vitória e ao chegar na capital do Espírito Santo passa a cativar novos corações por aqui também. Um dos amigos que cativou foi o médico pessoal, o cardiologista Luiz Henrique Martinelli, que afirma ficar impressionado com o fato de Dom Luiz estar sempre atualizado com todos os assuntos.
“Ele é uma pessoa formidável, inteligente, intelectual, antenado com tudo, muito lúcido e de uma memória impressionante. Além disso, um amigo muito querido em quem eu posso confiar e esperar sempre uma palavra de apoio, afeto e carinho. Para mim e para minha família é uma honra poder conviver com Dom Luiz e perceber nele essa pessoa humana, reta e tão preocupado com o povo, sempre com algum projeto que possa ajudar as pessoas que precisam”, afirmou.

Foi um desses projetos, a Fazenda Esperança, que trata dependentes químicos que aproximou Dom Luiz e a médica Helenice de Fátima Muniz, uma das diretoras do projeto.

“Ele é muito humano, transparente, acolhedor e gosta das coisas muito corretas. Nós convivemos bastante e volta e meia ele está lá em casa. O que mais me impressiona nele é a simplicidade. Temos ido muito a Brejetuba, onde estamos montando outra casa da Fazenda Esperança. Em em uma das viagens almoçamos na casa da pessoa que está doando a terra, que é também muito simples. Ele não fez cerimônia, se serviu nas panelas e agradeceu muito o almoço. Nossa amizade é da época em que ele veio para Vitória e somos muito felizes por tê-lo tão próximo de nós. Eu defino Dom Luiz como simplicidade”, afirmou.

É esse Dom Luiz pessoa, como diz Dom Sevilha, determinado, apaixonado por Jesus e Maria, pai, carinhoso, humano, inteligente, apressado, intelectual e simples que definem este homem de fé que não se cansa de colocar-se à disposição da Igreja e dos que precisam dele.
Por isso agradecemos a Deus por sua vida, por sua missão e por sua mensagem de amor para todos nós.

TESTEMUNHOS SOBRE DOM LUIZ

Rosângela Motta Rodrigues
Sobrinha de Dom Luiz
Tio Luiz é bastante presente, preocupado com a família, com os irmãos, com os sobrinhos e, mesmo estando longe a maior parte do tempo, sempre dá um jeitinho de nos visitar. Aliás, ele adora viajar, e quando ele vem nos ver, eu me encarrego de ser a motorista oficial dele.
Sempre vamos até o sítio de uma irmã dele, a tia Arlete, que mora em Taubaté. Durante o trajeto ele conta vários casos engraçados que viveu em outras viagens. Eu o vejo como uma pessoa que gosta de ajudar os outros, é bom ouvinte, dá bons conselhos e sempre está atualizado com tudo, conversa sobre qualquer assunto.
Acho engraçado ele ser apressado e sempre foi. Eu, ao contrário, muito devagar sempre pergunto a ele: Para que tanta pressa tio? Mas ele sempre reponde que não está com pressa. Eu digo a ele que ele deve sofrer muito comigo, e rimos demais de tudo isso.

Padre Dermeval Gomes
Amigo de Dom Luiz
Dom Luiz de fato foi e continua sendo um pai para mim. Eu posso dizer que todas as pedras que surgiram no meu caminho foram removidas por ele. Dom Luiz me acompanhou na vida pessoal, acadêmica e pastoral. É uma pessoa determinada, administrador exemplar, um homem amoroso, carinhoso e de uma grande espiritualidade, além disso, muito estudioso.
Foi ele quem despertou minha vocação sacerdotal durante um encontro de jovens em Cachoeiro de Itapemirim. Com a frase “A sua imagem ficou gravada no coração do bispo”, ele me fez retomar a vocação que já havia aparecido quando eu tinha 10 anos de idade, mas que ficou adormecida durante parte da juventude. Dois anos após esse encontro pedi para ingressar no seminário.
Eu acredito que cada ser humano nasce com uma missão e traz consigo uma mensagem de Deus para o mundo. Dom Luiz como um sucessor dos apóstolos, tem a missão de continuar os ensinamentos de Deus. O Pai quis que Dom Luiz fosse essa mensagem de amor, esperança, vigor e paz para o mundo.

Ana Arlete de Santos Saltori
Ex-funcionária de Dom Luiz
Eu o tenho como um pai. Quando precisei de trabalho ele me deu a oportunidade, me incentivou a crescer profissionalmente, me ofereceu todas as ferramentas para crescer, amadurecer e vencer. Também me incentivou a estudar e me mostrou que só temos a ganhar quando nos esforçamos verdadeiramente na vida
Posso dizer que tudo que tenho e tudo que sou hoje devo a Dom Luiz. E posso dizer também que seu incentivo, ajuda e atenção foram dadas a muitas pessoas, mas de forma discreta, pois ele nunca gostou que os outros soubessem da ajuda que ele dava às pessoas.
A convivência com ele começou quando eu ainda era muito menina. Minha mãe cozinhava para ele e passávamos os finais de semana em sua cassa, para fazer companhia. Ele sempre teve muito carinho por nós e eu posso dizer que ele sempre esteve presente em todas as fases da minha vida, participando do meu crescimento pessoal, realizou meu casamento, batizou minha filha. Ainda convivemos bastante e o que tenho a dizer sobre Dom Luiz é que ele é uma pessoa com grande amor no coração.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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