buscar
por

O valor do ser humano

Diariamente recebo mensagens e ouço comentários denegrindo o caráter de milhões de brasileiros que recebem algum tipo de auxílio público por serem desprovidos financeiramente. Por outro lado, salvo algumas manifestações de rua, não se vê em nossa sociedade organizada posicionamentos contrários à acumulação de renda desavergonhada a que o mundo, e sobretudo, o Brasil, atingiram. De acordo com pesquisa recente realizada pela Organização das Nações Unidas, 2% da população detém 50% da riqueza mundial, e se aumentarmos um pouco mais este percentual, tem-se 10% da população com mais de 80% da riqueza do mundo. Ao contrário das primeiras, estas pessoas abastadas são avaliadas como verdadeiras trabalhadoras, às quais se deve respeito e veneração, enquanto os pobres e miseráveis, especialmente os amparados pelo poder púbico, correspondem à parcela da população preguiçosa, vagabunda, que se aproveita dos impostos pagos pelas pessoas decentes e responsáveis pelo bem estar da nossa sociedade.

Alguns poucos países avançados em termos de consciência cidadã, e normalmente com grande geração de riqueza,impõem aos mais ricos pesadas cargas tributárias, reduzindo percentualmente o valor pago pelas classes média e pobre, melhorando:i) a distribuição de renda pelo repasse financeiro direto aos mais pobres ou com a execução de obras preferenciais a estas classes, ii) e também a economia, pois a maior parcela disponível de dinheiro por estas pessoas (por pagar menos impostos) amplia o consumo, gerando produção, emprego e renda. No Brasil, nenhum partido político tem coragem de questionar a estrutura tributária que beneficia os ricos, que orientados por consultores contábeis e econômicos pagam pouco e juntam muito, e penaliza os que ganham menos impondo um maior valor absoluto recolhido em relação à sua renda. Este desequilíbrio, entretanto, é visto como justo, pois para a sociedade os mais ricos são pessoas superioras, mas a miséria e a pobreza representam o desleixo do ser humano, o qual não faz jus “à grande dádiva do capitalismo”: as chances são iguais para todos.Só muita ingenuidade ou benefício próprio para se acreditar neste ditado.

COMENTÁRIOS