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O Tempo e o Amor, Pais & Filhas

Quando me deparei com o título do filme Pais & Filhas (2015), eu reconheço que o que me chamou mais a atenção foi o nome de Russel Crowe. Sou um fã de seu trabalho desde Los Angeles – Cidade Proibida, pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante.

Assim como o título sugere (tradução literal do título original Fathers and Daughters), o roteiro é centrado na relação entre um pai e sua filha. Se passando em duas linhas temporais narradas em paralelo, o filme nos apresenta, em uma delas, os problemas que o renomado e premiado escritor Jake Davis (Russel Crowe) deve lidar devido às sequelas de um acidente de carro que vitimou sua esposa. Tais sequelas o deixaram mentalmente instável, e consequentemente, e é um dos motivadores de um distanciamento de sua filha e de uma disputa judicial com a irmã de sua falecida esposa pela guarda da filha. Em outra se passando vinte anos no futuro, a filha Katie (Amanda Seyfried) trabalha com crianças com problemas psicológicos, ao mesmo tempo que deve lidar com seus próprios problemas que, conforme a narrativa do filme apresenta, tem suas raízes em sua infância.

Em uma narrativa suave, Russel Crowe faz de Jake um de seus melhores papéis dos últimos anos. A sua interpretação nos momentos de desestabilidade me fez lembrar algumas cenas de “Uma Mente Brilhante”, onde ele nos brinda com toda a sua versatilidade e capacidade que não via há tempos. Reparem em sua expressão durante os seus espasmos, ou quando sua mão começa a tremer, nos quais ele, sem gritaria ou exageros, reconhece a sua fragilidade. Nitidamente vai se traçando uma figura trágica, em sua luta pelo direito da guarda da filha. Não há como deixar de simpatizar por sua trajetória e sentir alívio em suas pequenas vitórias cotidianas.

Enquanto que na outra linha temporal, Katie busca na intensidade de sua vida sexual o alívio para suas dores. Tal comportamento leva a uma confortável posição de relações temporárias e superficiais, livre de sofrimentos que podem ser causados por perdas, rejeições e abstinências, resultados de sua infância turbulenta. Em seu trabalho, ela é levada a ajudar uma criança com problemas devido à sua condição de vulnerabilidade social. Esta criança, uma jovem menina, mostra-se totalmente fechada a possibilidade de estabelecer relação com qualquer pessoa. Inicialmente perdida diante da relutância da menina, Katie somente encontra o caminho para chegar ao coração da menina, quando recorre às suas lembranças de infância. Ao mesmo tempo, por visitar tais lembranças ela é obrigada a finalmente confrontar seus próprios traumas. Durante tal processo, as suas relações com seu pai são restauradas, e momentos agradáveis que ambos viveram após a tragédia, até então suprimidas, ganham vida em sua memória. É um filme com o apelo bem conhecido de que o amor e o tempo são remédios infalíveis para restaurar relações, neste caso o entre pais e filhas.

Pode não ser um filme magnífico ou espetacular, mas é inegável que é agradável, com uma história comovente e atuações sóbrias e seguras. Sem dúvida, vale a pena investir um tempo para vê-lo.

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