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Epifania, a festa da Luz.

Pe. Ivo Ferreira de Amorim

A Igreja celebra a festa da Epifania, manifestação do Filho de Deus a todos os povos, “festa de luz e de alegria”, no dia 06 de janeiro. No Brasil, por não ser dia santo de guarda, celebra-se no domingo que ocorre entre o dia 2 a 8 de janeiro, por determinação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em muitos lugares, na véspera ou nesse dia faz-se uma festa aos Santos Reis ou a “Folia de Reis”, onde os foliões se comportam como verdadeiros missionários anunciando a vinda de Jesus ao mundo.
Esta festa vem sendo celebrada na Igreja desde o século II como festa cristã, entendida como comemoração pela vinda do Senhor, ou seja, o seu nascimento humano e perfeita encarnação. Uma festa da revelação de Jesus ao mundo pagão, nas pessoas dos Magos que foram a a Belém para adorar o Redentor recém-nascido. São treze dias depois do natal, celebrado no dia 25 de dezembro, quando o aumento da luz já é mais visível no Oriente. É a festa da chegada da verdadeira luz para os cristãos.
Na celebração cristã Jesus á apresentado como Luz dos povos e como caminho de salvação. Cristo é a Luz que clareia os caminhos da humanidade. No Menino nascido de Maria, acolhemos a manifestação do Filho de Deus: O Messias esperado e luz das nações.
A simbologia da luz confirma para a memória dos cristãos que em Jesus Cristo o mistério da salvação se revelou a todos os povos da terra. O Magos vão a Belém, vindo de terras tão longínquas, guiados pela estrela, à procura da verdadeira luz, representando essa nova visão religiosa, para além das fronteiras de Israel e de limites a ação salvadora de Deus.
A palavra Epifania significa manifestação, universalidade da salvação, da revelação de Deus. Podemos dizer que é a festa onde os cristãos, assumem a tarefa de tornar esse mistério conhecido em toda a humanidade, revelando que Deus quer reunir todos os seres humanos numa fraternidade universal.
O Apóstolo Paulo traduz esse mistério com as palavras: “desde a eternidade nos destinava em Cristo Jesus, e agora nos manifestou mediante a aparição de nosso Salvador” (2Tm 1,9-10). É o encontro de todos os povos com o Salvador, o Rei-Messias manifestando e revelando a salvação. É Deus vindo ao nosso encontro e permitindo ser encontrado pela humanidade na pessoa dos três humildes pastores, os Magos (Mt 2,1-12).
Os Magos procuraram o Salvador, superando os perigos do longo caminho guiados pela estrela, atravessando o deserto e, superando a indiferença e os desencontros políticos. Eles são símbolo de toda a humanidade, que reconhecem no Menino, nascido de Maia sua mãe, o Salvador esperado.
Os Magos são os procuradores de Deus: interrogam as estrela, os homens e os documentos; dóceis aos sinais e à Palavra de Deus, eles descobrem na Sagrada Escritura a luz que os conduz ao lugar onde está o Menino, luz que faz brotar do coração a oferta da própria fé. Por outro lado eles representam as pessoas que sentem a necessidade de aprender as Escrituras e o plano de salvação de Deus, pessoas que superam obstáculos e testemunham a alegria de crer no único e verdadeiro Deus.
Os Magos são sinais e símbolos de uma “Igreja em saída”, Igreja que quer e precisa ser o tempo todo, missionária a serviço do Reino. Eles deram testemunho e anunciaram a salvação ao retornar de Belém. É a atividade missionária da Igreja ao longo do tempo, em todos os ambientes, numa abertura aos apelos do Reino. É a Igreja se esforçando para revelar ao mundo o Deus revelado e manifestado.
Nos três Magos são contemplados todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares que procuram por Deus, nos caminhos da fé, na peregrinação da própria vida e na alegria de encontrar a Deus, o “Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo, 1,14).
Esta festa é um convite para uma renovação da fé em Deus que se revela como Salvador. Ao celebrá-la, pedimos a Deus a graça de sermos luz, sendo homens e mulheres de fé que resplandece: no simbolismo do incenso o reconhecimento da divindade de Jesus; na mirra o reconhecimento da sua humanidade; no ouro o reconhecimento da sua realeza. Essas oferendas estabeleceram uma ponte com a realidade da imolação de Cristo na Cruz.
É uma festa que evidencia a realeza de Cristo: ”Veio o Senhor nosso, nas suas mãos está o reino, o poder e a glória” (1Cor 29,12) e todos os reis hão de adorá-lo e serví-lo (Sl 71,10-11).
A exemplo dos Magos, cada cristão é luz que mostra o caminho, o plano de Deus, por meio do Espírito, dando sua contribuição para que este mundo seja melhor. Estes e outros apelos nascem desta festa litúrgica.

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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