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A morte é a porta que introduz para a plenitude da vida

No próximo dia 2 de novembro celebramos o “Dia dos Finados”, mas seria uma aberração
achar que é dia de comemorar a morte. Nada disso. A Liturgia celebra a Ressurreição. Tolera-se
o choro da saudade.

O próprio Jesus não consegue segurar o pranto diante do túmulo de Lázaro, tamanho é o amor que tem por ele. Mas nada de desespero. É hora de enxugar as lágrimas. A Palavra de Deus anuncia com todas as letras que a morte não é o ponto final, mas a porta que introduz á plenitude a vida.

Não podia ser diferente. A morte como fim definitivo não combina com Deus. Não está incluída na lista das obras por Ele realizadas. “Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes. Tudo criou para que subsista; são salutares as criaturas do mundo: nelas não há veneno de morte, e o Hades não reina sobre a terra” (Sb 1,13-14).

Ele só gera Vida e cuida dela com ternura. Quando cria o ser humano faz muito mais: sopra
nele Seu Espírito e lhe dá de presente a Vida Eterna de maneira que desde o primeiro instante
de sua existência cada pessoa se torna templo da Vida do Eterno. Acolher esse dom e cultivá-lo
com carinho deve se tornar a nossa maior preocupação.

Todos passaremos pela morte biológica. Ninguém está isento dela, nem os discípulos de Jesus.
O Mestre nunca assegurou a seus amigos uma infinita sobrevivência. Não prometeu o elixir da
imortalidade. Apontou o caminho da eternidade. Para Ele o essencial não está em não morrer,
mas em viver desde já conforme a Vida do Eterno.

Ele nos ensina a ter mais medo de uma vida errada do que da morte, a temer mais uma vida inútil e vazia do que encarar a última fronteira dessa para a outra vida cuja passagem não é motivo de medo para quem se agarra à mão de Deus e se deixa levar por Ele. Como bem disse o apóstolo Paulo, fiquemos persuadidos que nada nos separará do amor de Deus, nem a morte (Rm 8,35-39).

No lugar de nos angustiarmos com a morte, portanto, busquemos viver desde já conforme a
Vida do Eterno. Ela entra em nós muito antes que alcance sua plenitude definitiva no Reino de
Deus. Entra pela Fé em Jesus Cristo: “Essa é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40).

Entra pelo exercício da Caridade: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?… Vai,
faze como o samaritano e viverás” (Lc 10,25-37). Entra pela teimosia da Esperança: “Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. (Jo 16,33).

A nossa experiência parece apontar uma marcha inexorável da vida para a morte. Até porque
vivemos numa cultura de morte onde a vida vale cada vez menos. A fé cristã, ao contrário,
aponta que a existência humana caminha da morte para a vida. Para quem vive desde já uma
vida à Luz do Eterno, desde já experimenta a alegria de uma vida vivida intensamente e a
morte se torna a porta de entrada para a plenitude da Vida e o gozo da verdadeira felicidade.

 

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