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Jubileu de Ouro de Ordenação Sacerdotal de Cônego Arnóbio Passos Cruz

Há 50 anos, neste mesmo horário, nesta Catedral, pela imposição das mãos do saudoso e inesquecível Dom João Batista da Mota e Albuquerque, primeiro arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, era ordenado presbítero o então diácono Arnóbio Passos Cruz. As leituras que ouvimos são as mesmas proclamadas naquela manhã de 18 de dezembro, quarto domingo do Advento.

Como ouvimos na primeira leitura, o Profeta Isaías nos anuncia que “uma virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel” (Is. 7,14) que quer dizer Deus-conosco. Este oráculo foi pronunciado por Isaías diante da corte real que temia a ruína da dinastia davídica. Tal catástrofe significaria a anulação da grande promessa feita à casa de Davi. Ao anunciar que aquele que vai nascer de uma virgem, se chamará Emanuel, Isaías fala de um rei ideal, descendente de Davi, cuja vinda indicará definitivamente que Deus está com seu povo. Em Cristo, nascido da Virgem Maria, cumpre-se plenamente esta profecia.

Ao anunciara origem de Jesus, o Evangelista Mateus nos diz que “tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta”. O Evangelho afirma o nascimento virginal de Jesus. O contrato matrimonial entre José e os pais de Maria era um fato, pois ela tinha sido dada em casamento a José. Entretanto, de acordo com os costumes judaicos, a cerimônia do casamento só era considerada completa quando o esposo recebia a esposa em sua casa. Este é o significado da expressão “antes de viverem juntos” (Mt 1, 18), bem como o que diz o mensageiro de Deus a José: “não tenhas medo de receber Maria como tua esposa” (cf. Mt 1,20.24).

José é chamado de ‘justo’ porque era considerado observante da Lei de Moisés. A sua justiça era associada á decisão de não expor sua esposa. Estava em suas mãos a decisão de repudiar o contrato firmado, na presença de testemunhas. Em sonho, José recebe a revelação que lhe é comunicada pelo “anjo do Senhor”, que lhe anuncia o nome do menino que deverá ser chamado Jesus, que significa o Senhor é Salvação. O menino que vai nascer será portador da salvação, pois o povo será salvo de seus pecados e não apenas dos inimigos externos ou perigos da natureza.

“Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta” (Mt 1,22). Mateus nos apresenta esse acontecimento como o cumprimento da profecia de Isaías. O nascimento de uma virgem representa o início da era messiânica da salvação, esperada ao longo do Antigo Testamento. Esta era se inicia com o nascimento do menino e Deus se faz presente no meio de seu povo, num modo inteiramente novo.

“Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa” (Mt 1,24). O evangelista Mateus, ao falar da origem de Jesus, afirma que José não é o pai natural de Jesus. O princípio ativo da concepção de Jesus é unicamente o Espírito Santo: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (Mt 1,20), disse o anjo do Senhor.

Esta semana do Advento que iniciamos visa, de modo mais direto, a preparação do Natal do Senhor. colocando em relevo a extraordinária figura de Maria, Mãe de Deus feito homem. É neste contexto, natalino e mariano, que celebramos o jubileu de Ouro Sacerdotal do Cônego Arnóbio, motivo de grande júbilo para ele e seus familiares, para nós seus amigos, para a Arquidiocese de Vitória e toda a Santa Igreja de Deus e para todos os que se têm beneficiado com o exercício do sacerdócio.

Com apenas 11 anos de idade, Arnóbio ingressou no Seminário Menor, no ano de sua inauguração, integrando assim a primeira turma do Seminário Nossa Senhora da Penha que, neste ano, completou 65 anos de sua fundação. Aí o encontrei e nos tornamos amigos e colegas de turma; aliás, os únicos de nossa turma que permanecemos no ministério sacerdotal. Em 1960, o então seminarista Arnóbio seguiu para Belo Horizonte a fim de cursar Filosofia e Teologia no Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus. Mais tarde, como sacerdote, foi para Roma onde especializou-se em Teologia Espiritual, na Universidade Gregoriana e posteriormente obteve o Mestrado em Teologia Sistemática, com especialização em Mariologia, na Faculdade de Teologia “Marianum”, como aluno do Pontifício Colégio Pio Brasileiro.

Como sacerdote, tem desempenhado muitas funções nesta Arquidiocese: Vigário paroquial da Catedral de Vitória, Capelão do Colégio do Carmo, Capelão do Carmelo de Nazaré, Administrador Paroquial da Paróquia de São João Batista (Cariacica), Pároco da Paróquia São Pedro (Praia do Suá), Vigário Paroquial da Paróquia da Ressurreição (Goiabeiras), Vigário Paroquial da Paróquia Bom Pastor (Campo Grande), Pároco da Paróquia de São Pedro (Vila Rubim), Chanceler do Arcebispado, Diretor Espiritual do Seminário Nossa Senhora da Penha, Diretor Espiritual Arquidiocesano da Legião de Maria, , Membro do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores e Professor no Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória. Colaborou também nas Paróquias Santa Mãe de Deus (Ibes), de São Francisco (Porto de Santana) e da Virgem Maria (Itacibá).

Prezado Côn. Arnóbio,

No silêncio da oração, certamente brota em seu coração sacerdotal um profundo agradecimento a Deus, pelo caminho percorrido e pelo sublime mistério que lhe foi confiado. Com as mãos cheias de frutos colhidos nessa longa jornada, você hoje pode dizer: “Quem semeia entre lágrimas, recolhe a cantar. Chorando sairão espalhando as sementes; cantando voltarão carregando os seus feixes” (Sl. 125).

Caríssimos irmãos e irmãs,

Com o Salmista, hoje dizemos: “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que ele me fez? Erguerei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor” (Sl 115, 3-4). Partindo o Pão da Vida e erguendo o Cálice da Salvação, nesta Eucaristia que celebramos, invocamos o nome do Senhor, com o coração agradecido pelo dom do sacerdócio concedido à Igreja e confiado, há 50 anos, ao nosso querido irmão e amigo Côn, Arnóbio. Ergue-se nosso louvor, acompanhado de nossa ação de graças, pois, pela unção do Espírito Santo, o Pai constituiu seu filho Jesus, Pontífice da nova e eterna aliança e, com inefável bondade, escolheu este seu servo e lhe confiou o sagrado ministério.

Que Maria, Mae da Igreja e modelo dos servidores do Evangelho, invocada nesta catedral com o título de Nossa Senhora da Vitória, nos ajude para que, fieis à nossa vocação, possamos seguir os passos de Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir (cf.Mt 20,28). Amém!

 

Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha, por ocasião do Jubileu de Ouro de Ordenação Sacerdotal do Côn. Arnóbio Passos Cruz, na Catedral Metropolitana de Vitória, aos 18 de dezembro de 2016.

 

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