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Homilia para o encerramento do 9º Muticom

Homilia Muticom

18 de julho de 2015

Queridos comunicadores de todo o Brasil reunidos aqui no Convento da Penha para encerrar o 9º Mutirão de Comunicação, Jesus, o Comunicador do Pai, veio tornar-nos próximos! Os que estavam longe e aos que estavam próximos, como diz São Paulo aos Efésios (2, 17). Jesus, a Palavra de Deus, é, não só o Comunicador do Pai, mas a própria Comunicação da Vida de Deus para a humanidade. Humanidade rompida com o Criador pelo pecado e por isso, distante, impossibilitada de comunicar-se!

Tenho para mim que, concluindo este Encontro Nacional de Comunicação e de comunicadores não podemos perder de vista a razão profunda deste esforço eclesial de realizar um “mutirão nacional de comunicadores”.

Por que nós damos tanto valor à comunicação? Para quê nós gastamos tempo e energia em favor da comunicação?

A própria expressão “mutirão de comunicação” evoca um desejo profundo de encontro de pessoas, de intercomunicação.

Nascemos para o encontro e não para o desencontro! Nascemos para a Comunhão! É só no Encontro que somos plenos!

Recordo-me da ternura comunicadora do Papa Francisco. Quando passou pelo Rio de Janeiro por ocasião da jornada da juventude ele recomendou a todos, bispos e jovens, que trabalhássemos por uma cultura do encontro.

O sumo Pontífice convoca a Igreja para a cultura do encontro. A Igreja de Jesus Cristo, Esposa e Corpo de Cristo, foi gerada para a comunicação, para ser comunicadora de Jesus Cristo, aquele que nos veio trazer a paz. “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura” (Mc 16, 35 ).

Precisamos fazer memória da nossa origem e renovar o nosso desejo de Comunhão. E qual é a nossa origem se não a comunhão das três Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, na qual Jesus, a Palavra Criadora e Redentora é o Comunicador e a Comunicação? Precisamos avaliar os caminhos, os passos de comunicadores. Precisamos dar mais vigor ao compromisso do cultivo da cultura do encontro.

Porém, temos consciência que vivemos num mundo plural onde testemunhamos e anunciamos o Evangelho. “Vivemos uma época de transformações profundas. Não se trata apenas de uma época de mudanças, mas uma ‘mudança de época’”, assim afirma o Documento de Aparecida no número 44. Este mesmo documento aponta riscos e consequências de uma mudança de época. E, porque eles existem, o tema deste Mutirão faz todo o sentido: Ética nas Comunicações. O que é comunicação, o que comunicar e como comunicar? É aqui que entra a ética.

Temos consciência de que devemos fazer diferença no mundo da comunicação. Não podemos darmo-nos por satisfeitos com uma boa técnica ou entrar no jogo do mundo, cujo objetivo é o lucro, custe o que custar. Vemos como ‘certo tipo de comunicação’ torna-se um meio vil e perverso, pondo em evidência contra-valores nos diversos ambientes que deveriam ser lugares do cultivo de uma cultura do encontro, como a família e a Escola.

O sistema político econômico e social atual é ideologicamente dominado pela conquista do poder pelo poder e do lucro pelo lucro.

Esta mentalidade faz uso da comunicação sem compromisso com a verdade, pouco ou quase nada preocupada com a justiça social, gerando, provocando e aumentando a violência. A imprensa, a mídia em geral acaba não tendo auto-censura ou uma auto-crítica espalhando, assim, na sociedade uma verdadeira crise de valores.

O que vale numa sociedade consumista como a nossa? Não são as pessoas, mas o lucro e o poder. O Bem Comum é desconhecido porque implica em partilha e intercâmbio, em justiça social.

Nós sabemos qual a nossa origem e qual o nosso destino. Por isso, a utilização de toda a técnica moderna de comunicação no novo mundo virtual e da informática, deve ser do nosso conhecimento e instrumental para o anúncio da Boa Nova, concorrendo com os que apenas desejam o lucro e o poder, sem preocupação com a ética.

Parece-me urgente que em nosso meio eclesial e nos ambientes abertos e de boa vontade o ensinamento social da Igreja seja, não só mais divulgado, mas também sistematicamente estudado. Nossas emissoras de rádio e TV, o mundo virtual e toda a forma de comunicação precisam priorizar este ensinamento e valores para nossa sociedade que, aparentemente, parece indiferente, porém, profundamente carente e desejosa de beber da mesma Fonte que nós bebemos e anunciamos.

A humanidade deseja e tem sede de encontro. A Igreja tem a sua proposta porque, “perita em humanidade”, como afirmava o Beato Paulo VI. Ela conhece o caminho do encontro, cultiva o caminho do encontro e convoca para a cultura do encontro.

O Evangelho mostra-nos esta verdade de busca: “Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. (Mc 6,33-34).

Há muita gente sedenta esperando, em busca do sentido de vida e de encontrar sua origem e descobrir seu destino. Há muita gente que se declara agnóstica, mas que pelo caminho do ensinamento social da Igreja, através dos meios de comunicação social e do mundo virtual, poderão passar a somar conosco por um mundo mais humano, justo e fraterno.

Os comunicadores cristãos são os novos pastores, arautos da Boa Notícia que gera a paz. Tenho para mim que, mais que em outros tempos, uma multidão sedenta espera o nosso pastoreio neste novo jeito de comunicar e de promover a cultura do encontro.

Aproveito-me deste momento para agradecer a todos que nos deram a honra de participar deste Nono Mutirão de Comunicação em Vitória do Espírito Santo. Agradeço toda a Equipe Coordenadora, presidida por Dom Wladimir Lopes Dias: pe. Anderson, Maria da Luz, Alessandro, Gilliard, Marcus Tullius, Gisseli e Liandra que enfrentaram a difícil e árdua empreitada de promover um encontro desta envergadura. Agradeço à Presidência da CNBB por escolher a nossa Arquidiocese e Sub-Regional através da querida Irmã Élide e não menos querido o Pe.Clovis e desejo a Dom Darci e padre Rafael as bênçãos de Deus para conduzir a Comissão de Comunicação.

Que nunca percamos a consciência de nossa origem comunicadora Fonte e Destino da comunicação da Igreja de Cristo, a Santíssima Trindade. E, com São Paulo o grande Comunicador, termino “Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz aos que estavam perto.” (Ef 2, 17)

Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc

Arcebispo Metropolitano de Vitória

 

 

 

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