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30 anos de ordenação episcopal de Dom Luiz Mancilha Vilela

Homilia por ocasião dos trinta anos de episcopado

22 de fevereiro de 2016

Semana passada o Reverendíssimo senhor padre Paulo Regis chamou-me ao telefone pedindo que presidisse esta Eucaristia por ser o dia da Cátedra de São Pedro Apóstolo e, também, dia em que comemoro trinta anos de episcopado. É evidente que eu não poderia recusar este honroso convite pelos dois motivos alegados.

Aqui me encontro, pois, um pouco constrangido, mas ciente da minha missão e do meu lugar na Igreja que me foi confiada por Deus através do Papa João Paulo II, hoje santo da Igreja Católica.

É sobre estes dois pontos que hoje falo: A  Cátedra de São Pedro e a comemoração dos trinta anos de episcopado.

A Festa Litúrgica da Cátedra de São Pedro une duas festas antigas numa única festa, a festa de São Pedro como Bispo de Antioquia e a festa da sede definitiva de Pedro em Roma onde morreu pelo ano 67.

A Igreja celebrava a Cátedra de Pedro, lugar simbólico de onde Pedro exerce sua função de pastor universal de toda a Igreja Católica Universal. Pedro tem uma função e missão específica no mundo eclesial católico: a autoridade própria como vigário de Cristo e a missão Petrina da unidade e da comunhão com os demais Sucessores dos Apóstolos em cada diocese.

Hoje todas as Igrejas Diocesanas presididas por um Sucessor dos Apóstolos se voltam para o bispo de Roma, Pedro, hoje Francisco. Agradecemos a Deus o dom precioso para nós que é o Papa Francisco, que foram João Paulo II e Bento XVI. Cada um a seu tempo, cada um com sua história! Servos de Deus. Deus conduz a Igreja. Deus é o Senhor!

Mas,  hoje oramos pelo Papa Francisco. Que de sua Cátedra nos oriente e nos ajude na busca da Comunhão e da fraternidade universal.

A Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo sente-se unida ao Santo Padre e ora por ele. O sucessor dos apóstolos e seus presbíteros, diáconos, consagrados e fiéis cristãos leigos formam com o Sumo pontífice um só corpo orante e missionário. Deus conserve e fortaleça o nosso querido Papa Francisco. Que de sua Cátedra possamos receber estímulos de fidelidade missionária para nosso caminho de discípulos e discípulas em direção à pátria definitiva.

Justamente no dia da comemoração desta Festa Litúrgica muitos foram sagrados bispos da Igreja de Cristo, expressando, assim, o vínculo profundo e indelével entre o  Apóstolo  Pedro e os demais Sucessores dos Apóstolos.

Entre tantos irmãos, hoje, Dom  Silvestre Luiz Scandian, meu antecessor nesta Igreja, e eu, fomos ordenados bispos da Igreja e mais tarde transferidos e nomeados arcebispos de Vitória do Espírito Santo. Mistério de fé! Mistério da Misericórdia Divina! Dom Silvestre celebra 41 anos de episcopado e eu trinta anos. Cada um com sua história. Ambos missionários, obedientes aos desígnios de Deus. Deus determinou e nós obedecemos.

Aprendi nestes anos que a vida de Bispo, Sucessor dos Apóstolos, é uma vida de obediência aos desígnios de Deus, aprendi que o caminho de Cristo é o caminho da obediência! Aprendi e continuo experimentando na carne que o caminho do Bispo é o caminho da obediência! A obediência é um mistério que se desvela pouco a pouco, momento a momento até à cruz, o último suspiro. Creio firmemente, este último suspiro, nos braços de Nossa Senhora a cujo Coração Imaculado estou e sou Consagrado, nossa Mãe querida, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, a cujo Coração Divino me entreguei e fui por  Ele consagrado.

Dom Silvestre tem vivido o  mistério da obediência no silêncio oculto da cruz, como que a dizer em todos os  momentos de sua vida: “Aba Pai!”

Eu continuo vivendo desde o meu batismo, o mistério pascal na obediência aos desígnios de Deus, exultando e bendizendo o Senhor por tanta coisa bonita, tantas pessoas santas perto de mim, tantos discípulos e discípulas que dão a vida por esta Igreja. Lembro-me neste momento emocionado, das ordenações diaconais, sacerdotais e episcopais que a delicadeza Divina tem me proporcionado ser instrumento dos desígnios do Pai e do Mistério da Aliança Nupcial com Igreja de Deus.

Desde o batismo aprendi a viver o mistério pascal na  obediência aos desígnios de Deus no horto das oliveiras, no carregar  da cruz e ouso dizer com Jesus; “que mal lhe fiz?” “Por que me bates?”. Sim, às vezes os obstáculos são difíceis, mas nessas horas a cruz vai me conduzindo  como Jesus ao colo e Coração de nossa mãe querida.

Mihi Labor proximo utilitas Sacris Cordibus Iesu et Mariae, Honnor et Gloria!

Para mim, o trabalho…  ao próximo, o resultado… aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, toda Honra e Gloria!

Tenho falado aos seminaristas que procurem ser santos porque o povo de Deus tem direito de esperar isto de uma pessoa consagrada, sobretudo de um padre e de um bispo. Nestes trinta anos de episcopado posso dizer-lhes que minha vida tem sido páscoa em todos os momentos. O seguimento de Jesus Cristo implica em viver nos seus passos, na Paixão, Morte e Ressurreição e isso só será possível com a força da Graça Divina que não falta. Só será possível viver a páscoa se buscarmos, com seriedade, sermos santos todos os dias. E neste esforço diário  ninguém conseguiu tirar do meu coração, consagrado aos  Sagrados Corações,  a alegria e a paz! Continuo teimoso na alegria dando a minha vida por esta Igreja que tanto amo e por este clero que me foi confiado para colaborar comigo na santificação e governo desta porção  do povo de Deus. Meu lema continua minha inspiração: “ut pastor pascet”, apascenta as ovelhas como o pastor até o descimento da cruz nos braços e no Imaculado Coração de Maria.

Aproveito-me deste momento para agradecer a todos que têm colaborado comigo no exercício de meu ministério episcopal: os caríssimos Bispos Auxiliares, Dom Mário Marquez, Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias e Dom Rubens Sevilha; a Coordenação de Pastoral da Arquidiocese na pessoa do atual coordenador de pastoral, padre Anderson Gomes; o COPAV,  os vigários episcopais; o Gerente de administração da arquidiocese, Sergio Murilo Lopes, sua grande equipe e os Conselhos de Administração da Arquidiocese; a assessoria de imprensa e comunicação na pessoa de Maria da Luz Fernandes e equipe, os presbíteros e diáconos na pessoa do padre Alexandro Firmino Barbosa. Agradeço o padre Hiller Stefanon Sezini, presidente do Tribunal Eclesiástico que dá sua contribuição com a justiça canônica. Agradeço na pessoa do padre Ivo Amorim, Vigário Geral a todos os funcionários da Cúria Metropolitana. Agradeço às secretarias Amir Salete Nunes e Mariângela da Costa Soares bem como à família de Dona Vitoria Nunes que me acompanham durante estes trinta anos com grande amor à  Igreja. Se existe algo positivo no meu governo desta Arquidiocese deve-se a eles. Agradeço ao padre Marcos Vinícius, meu irmão na Congregação dos Sagrados Corações, que representa esta família religiosa que me formou e a quem sou e serei muito grato por toda a vida.

Mais uma vez, digo-lhes: Sou grato a todos aqui presentes nesta Celebração Eucarística dando graças a Deus e pedindo perdão a Deus pelos meus pecados. A presença solidária muito me edifica. Ao caríssimo padre Paulo Regis, cura e pároco desta Catedral, meu muito obrigado pela delicadeza e elegância do  convite que me fez para presidir esta Eucaristia na Festa da Cátedra de  São  Pedro.

E agora convido a todos para juntos orarmos nas intenções  do Santo Padre, o Papa Francisco, este Pontífice simpático e profeta que cativou o mundo todo pela sua transparência e figura de grande pastor universal, amado por todos nós. Juntos e de pé, rezemos o Pai Nosso.

Deus abençoe a todos.

Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc

Arcebispo Metropolitano de Vitória

 

 

 

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