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Eucalipto, mocinho ou vilão no contexto da crise hídrica

O cultivo de eucaliptos em Santa Maria de Jetibá é motivo de conflito entre agricultores, e em um dos momentos mais críticos da crise hídrica, o desespero pela falta de água levou muitos produtores ao extremo de colocar fogo na plantação de eucaliptos do vizinho, com a intenção de fazer com que a água voltasse a aparecer em suas propriedades.

Uma visita à região de Santa Maria do Jetibá é suficiente para notar que, em muitas áreas onde havia cultivo de eucaliptos, os agricultores optaram por derrubar as árvores, mesmo sem ter garantido a venda da madeira. Nas propriedades, onde haviam grandes áreas com o cultivo da planta, agora existem apenas pequenos troncos que ficaram após o corte.

Entretanto, o técnico local do Incaper em Santa Maria do Jetibá, Iosmar Mansk, explica que, o cultivo de eucalipto na região de Santa Maria de Jetibá, teve um importante papel para a produção de caixas de madeira usadas para transportar a produção agrícola do município. Ele conta que se não fosse o eucalipto, a situação do município em relação à preservação da mata nativa estaria prejudicada.

“O problema do eucalipto é saber onde plantar e a quantidade de árvores que se deve plantar em cada área, pois ele pode sim representar a diminuição da água de uma região. Por isto, é preciso um estudo da propriedade. Hoje nós vemos que os agricultores já tem este entendimento, que não se pode plantar eucalipto em qualquer área e nem em grandes quantidades, mas antes de faltar água, antes da crise hídrica, ninguém aceitava isto. Infelizmente a crise tem também um papel educativo”, comentou.

O técnico explicou ainda que, o eucalipto não é só mocinho, ou só vilão. “Em algumas situações, como por exemplo, no alto de morros, é melhor ter eucalipto plantado do que deixar a área descoberta, possibilitando um processo de erosão”, explicou.

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